Flixbus apresenta as macrotendências que estão redefinindo o transporte de passageiros em nível global

No âmbito do «Latam Mobility North America 2026», Carlos Magaña, diretor geral da Flixbus México, fez a apresentação intitulada «Macrotendências do transporte de passageiros», na qual compartilhou sua visão sobre o estado atual e o futuro da indústria do transporte rodoviário em nível global.

Aproveitando a posição privilegiada da Flixbus como empresa presente em 45 países e líder no conceito de mobility as a service, Magaña apresentou dados reveladores sobre o tamanho do mercado, as tendências que o estão transformando e os desafios específicos que o México enfrenta nesta área.

A palestra, que ocorreu no Auditório San Pedro, no município de San Pedro, partiu de uma premissa contundente: o transporte de passageiros em todo o mundo está em plena transformação, e a velocidade com que os diferentes mercados se adaptam a essa mudança fará a diferença em sua competitividade e sustentabilidade futuras.

Você também pode se interessar | Lançado «Playground de Eletromobilidade» para acelerar a eletrificação do transporte pesado no México

Um mercado gigantesco em plena expansão

Magaña abriu sua intervenção contextualizando a magnitude da indústria do transporte rodoviário de passageiros em nível global. Com dados interessantes, destacou que o valor deste mercado chega a cerca de 800 bilhões de dólares.

Para dimensionar esse número, o executivo o comparou com outros setores: é aproximadamente 1,5 vezes o valor da indústria de smartphones, sete vezes o valor da indústria cinematográfica global e comparável ao valor da indústria da aviação.

Mas o mais relevante, sublinhou, não é apenas seu tamanho atual, mas seu dinamismo. «A taxa de crescimento anual é de 12%, significativamente superior a qualquer tendência econômica», afirmou.

Além disso, destacou que esse crescimento confere um peso específico à relevância dos temas que estão sendo tratados no summit da Latam Mobility e justifica a necessidade de prestar atenção às tendências que estão moldando a evolução do mercado.

Sustentabilidade: o primeiro pilar da transformação

A primeira das três grandes tendências que Magaña identificou foi a sustentabilidade. Neste ponto, o executivo foi claro ao afirmar que o modelo atual baseado em «extrair, produzir, consumir e descartar» é obsoleto, e que a indústria está migrando para um paradigma de «reduzir, reutilizar, reciclar e regenerar», que conecta a economia, a sociedade e o meio ambiente.

Magaña ofereceu uma visão comparativa de como diferentes regiões do mundo estão abordando este desafio. Na Europa, particularmente na Escandinávia, a legislação está desempenhando um papel fundamental como incentivo para a transição. Na Ásia, especificamente na China, as linhas de produção estão se modificando significativamente para produzir veículos com energias amigáveis ao meio ambiente.

O objetivo global é claro: até 2035, espera-se que 90% dos motores novos não sejam mais de combustão, e até 2040 busca-se alcançar zero emissões.

No entanto, o executivo levantou uma pergunta incômoda, mas necessária: «O que a América Latina e o México estão fazendo a respeito?» E ele mesmo ofereceu uma resposta: «Celebro fóruns como este porque, na realidade, vemos que há grandes áreas de oportunidade e não estamos nos movendo com a agilidade de outros mercados».

Para dimensionar o desafio, Magaña lembrou que, segundo estudos da Deloitte, cerca de 14% das emissões globais provêm do transporte rodoviário. E embora no ano passado tenham sido vendidos 17 milhões de veículos elétricos no mundo, esse número representa apenas 1% da frota veicular global, estimada em 1,5 bilhão de unidades. «Isso fala do tamanho do desafio e da necessidade de continuar avançando», sentenciou.

Carlos Magaña, CEO da Flixbus México

De suporte a habilitador do sistema

A segunda grande tendência analisada por Magaña foi o impacto da tecnologia na inovação do setor. Ao contrário do passado, quando a tecnologia era um mero suporte, hoje em dia ela se tornou o habilitador central do sistema, transformando radicalmente o comportamento do consumidor.

O executivo detalhou essa tendência em três subpilares fundamentais. O primeiro é a mobilidade baseada em dados. As empresas estão investindo milhões de dólares na obtenção de pontos de dados e no desenvolvimento de algoritmos para tomar decisões em tempo real, o que permite desde a otimização de rotas até a previsibilidade da demanda.

O segundo subpilar é o machine learning e a inteligência artificial. Magaña citou como exemplo o caso de Barcelona, onde existe um controle automático de semáforos que, a partir da demanda presente, modifica dinamicamente o controle do tráfego. A isso se somam aplicações em manutenção preventiva de frotas e outras ações que melhoram a eficiência operacional.

O terceiro subpilar é a Internet das Coisas (IoT), com casos de sucesso principalmente na Ásia, onde se observa uma habilitação dinâmica de rotas que se modificam continuamente para se adaptar às necessidades do transporte.

O verdadeiro desafio, explicou Magaña, reside na crescente demanda dos usuários. Segundo projeções da Deloitte, até 2027 haverá 1,2 bilhão de usuários de transporte em nível global. E o que torna esse cenário complexo é que cada um desses usuários espera um tratamento personalizado.

«Imaginem esse volume de pessoas esperando um tratamento individualizado. As empresas que não conseguirem se adequar a essa realidade estarão em risco de extinção, como aconteceu em outros setores», advertiu.

Intermodalidade: a experiência integrada

A terceira grande tendência identificada por Magaña foi a intermodalidade. No passado, explicou, falava-se do transporte como se fossem modalidades individuais e isoladas. Hoje, o consumidor combina meios tradicionais e espera ter uma única experiência de compra integrada.

É aqui que surgem as grandes plataformas digitais e conceitos como mobility as a service, que permitem ao usuário combinar diferentes modos de transporte, até mesmo incorporando a «comodidade» e a mobilidade ativa, como caminhar ou usar bicicleta, em uma única experiência de usuário.

Magaña citou exemplos bem-sucedidos em nível global. Em Londres, existem grandes conceitos urbanos para reduzir a frota e buscar eficiências na experiência do consumidor. Na Alemanha, a Deutsche Bahn (o provedor de trens) tem uma parceria com a Lufthansa para oferecer um bilhete integrado de avião e trem.

Em Amsterdã, o aeroporto é integrado à estação ferroviária. «Isso vamos ver continuamente, cada vez mais, porque é o que o passageiro demanda: soluções integrais», afirmou.

O caso mexicano: uma oportunidade histórica

Após analisar o panorama global, Magaña focou no México e na América Latina. Seu diagnóstico foi claro: «O México está avançando, mas precisa de maior impulso». O apetite dos consumidores e o comportamento nas zonas urbanas mexicanas é muito semelhante ao de outras partes do mundo, o que indica que a demanda por melhores serviços de mobilidade já existe.

No entanto, identificou uma grande área de oportunidade no marco regulatório. «A regulamentação está há anos sem atualização, a frota média tem anos significativos de idade e isso limita a concorrência. Com menor concorrência, há menor qualidade no serviço e preços mais altos», explicou.

Apesar desses obstáculos, as oportunidades que hoje existem no país são gigantescas. Magaña destacou o fenômeno do nearshoring e a proximidade com os Estados Unidos, bem como a posição estratégica de Monterrey, os grandes polos de desenvolvimento e urbanização, e o crescente investimento que está chegando ao México.

Para dimensionar a relevância do setor, o executivo compartilhou dados concretos: o mercado de transporte de passageiros em ônibus no México vale 2,3 bilhões de dólares e é uma contribuição significativa ao PIB nacional. Mas o dado mais impactante foi outro: 96% das viagens que qualquer passageiro realiza em qualquer meio de transporte no México é de ônibus.

Esse número reflete a enorme dependência do país neste modo de transporte, explicada em parte por sua extensa geografia, que conta com mais de 46 cidades com mais de 500.000 habitantes.

«A necessidade de mobilidade é incrível, é imensa», sublinhou Magaña. «E sabendo que temos essa necessidade de conectividade e que o transporte primário é em ônibus, tudo o que fizermos para migrar para energias renováveis e sustentabilidade será um benefício não só para a economia do país, mas para os mexicanos e para o meio ambiente».

Um chamado à ação

A palestra da Flixbus no «Latam Mobility North America 2026» deixou claro que o transporte de passageiros não é apenas um setor econômico de primeira grandeza, mas está no centro da transformação para uma mobilidade mais sustentável, tecnológica e integrada.

As tendências globais são claras e, embora o México enfrente desafios importantes em seu marco regulatório e na modernização de sua frota, as oportunidades abertas pelo nearshoring e pelo crescimento urbano são imensas para quem souber aproveitá-las.

Este diálogo faz parte dos esforços que a Latam Mobility está impulsionando ao longo de sua turnê 2026, que percorrerá os principais mercados da região para aprofundar nestes e em outros temas cruciais para a transformação da mobilidade.

Através de suas paradas em Monterrey e Cidade do México, Brasil, Colômbia e Chile, a plataforma continuará promovendo uma abordagem colaborativa para acelerar a transição para sistemas de transporte mais limpos, eficientes e inclusivos, posicionando a América Latina como um ator relevante na mobilidade sustentável em nível global.

Faça parte do movimento que acelera a transformação energética e urbana da América Latina. Se você quiser saber mais detalhes sobre como participar e opções de posicionamento, clique aqui.

Eletromobilidade