BAIC e CATL lideram a era do sódio com uma inovação que revolucionará os veículos elétricos

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O futuro da mobilidade elétrica está sendo redefinido por uma tecnologia que promete democratizar o acesso aos veículos de emissão zero: as baterias de íons de sódio.

Apoiadas na abundância e no baixo custo do sódio — um elemento 1.000 vezes mais disponível que o lítio — essas baterias estão superando barreiras técnicas e se aproximando da produção em massa.

Os últimos avanços, protagonizados por gigantes industriais chineses, marcam um ponto de virada: a possibilidade de carregar completamente um veículo em apenas 11 minutos — um desempenho melhor até do que o de muitos smartphones atuais.

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Carregamento ultrarrápido e 450 km de autonomia

O fabricante chinês Beijing Automotive Group (BAIC Group) deu um passo decisivo na corrida pela bateria de sódio. Sua divisão de pesquisa e desenvolvimento (BAIC R&D) anunciou a conclusão de um protótipo de bateria de íons de sódio que alcançou um nível líder na indústria.

A empresa confirmou que validou o processo de produção em massa para as células no formato prismático, abrindo caminho para a futura comercialização.

Os parâmetros de desempenho dessa bateria são impressionantes: ela oferece densidade energética superior a 170 Wh/kg — o que a coloca no primeiro nível tecnológico do setor. Em termos de autonomia, pode alcançar 450 quilômetros no ciclo de testes CLTC (China Light-Duty Vehicle Test Cycle) — um número comparável ao de muitos veículos elétricos atuais de lítio e mais do que suficiente para o deslocamento diário médio.

Sua característica mais disruptiva é a compatibilidade com o carregamento ultrarrápido 4C, que permite uma recarga completa em aproximadamente 11 minutos em condições de teste.

A BAIC integrou essa tecnologia em sua plataforma “Aurora Battery“, que agora abrange os caminhos tecnológicos de lítio, estado sólido e sódio, criando um sistema de baterias independente adaptado a diferentes cenários de uso. A empresa já protocolou 20 pedidos de patente relacionados a sistemas de sódio, cobrindo materiais, design de células, processos de fabricação e metodologias de teste.

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CATL e Changan lideram a produção em massa

Enquanto a BAIC acelera no desenvolvimento de protótipos, a aliança entre a CATL (a maior fabricante de baterias para veículos elétricos do mundo) e a Changan Automobile alcançou um marco ainda mais significativo.

Em fevereiro de 2026, as empresas apresentaram o primeiro veículo de passageiros de produção em massa do mundo equipado com uma bateria de íons de sódio.

O modelo escolhido é o Changan Nevo (Qiyuan) A06, um sedã que chegará ao mercado em meados de 2026. Ele será impulsionado pela bateria CATL Naxtra, que possui densidade energética de até 175 Wh/kg — um recorde para baterias de sódio em produção em massa — e autonomia superior a 400 quilômetros com uma única carga.

A CATL prevê que, com o avanço da tecnologia e da cadeia de suprimentos, a autonomia desses veículos possa chegar a 500 ou 600 quilômetros nos próximos anos.

Gao Huan, diretor de tecnologia do negócio de veículos elétricos da CATL para a China, disse: “A chegada da tecnologia de sódio marca o início de uma era de dupla química“, referindo-se à estratégia de fazer coexistir as tecnologias de sódio e lítio para atender às diversas necessidades do mercado. A CATL fornecerá suas baterias Naxtra para todas as marcas do grupo Changan, incluindo Avatr, Deepal, Qiyuan e UNI.

Desempenho no frio: o calcanhar de Aquiles do lítio

Uma das maiores vantagens das baterias de íons de sódio é a superioridade em climas frios — uma fraqueza histórica das baterias de lítio.

A BAIC projetou sua bateria para operar de forma estável em uma ampla faixa de temperaturas de -40°C a 60°C, mantendo retenção de energia superior a 92% a -20°C. Os resultados da CATL são igualmente impressionantes: sua bateria Naxtra oferece potência de descarga quase três vezes maior do que as baterias de fosfato de ferro e lítio (LFP) de igual capacidade a -30°C, e mantém mais de 90% de sua capacidade a -40°C — podendo fornecer energia de forma estável mesmo a -50°C.

Em testes realizados em Yakeshi, Mongólia Interior, o veículo da Changan demonstrou que dava partida sem pré-aquecimento a -30°C, oferecendo potência de descarga muito superior aos modelos de lítio tradicionais nas mesmas condições.

Além disso, a segurança é outro pilar fundamental dessa tecnologia. A BAIC submeteu sua bateria a testes de abuso extremo, demonstrando que ela não incendiou nem explodiu mesmo quando sobrecarregada a 200% de sua capacidade (superando o padrão nacional chinês em 1,7 vez) nem quando aquecida a 200°C.

A CATL, por sua vez, realizou testes de esmagamento multidirecional, perfuração com furadeira elétrica e corte completo — e a bateria não apresentou fumaça, ignição nem explosão.

Na frente econômica, as baterias de sódio oferecem redução teórica do custo do pacote de cerca de 15% em comparação com as baterias LFP, devido à eliminação do lítio do sistema de materiais e ao uso de carbono duro de biomassa.

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O desafio pendente do sódio

Apesar dos avanços impressionantes, as baterias de íons de sódio ainda enfrentam um desafio fundamental em termos de densidade energética — um fator crucial para determinar a autonomia máxima dos veículos.

O protótipo da BAIC atinge 170 Wh/kg, um número significativamente inferior ao das baterias de lítio de última geração, que ficam na faixa de 200–300 Wh/kg. Até mesmo o modelo Naxtra da CATL, atualmente a referência em produção em massa, atinge 175 Wh/kg. Essa diferença significa que, com o mesmo peso, um veículo com bateria de sódio poderia ter autonomia menor do que um com bateria de lítio.

No entanto, os fabricantes consideram que o nível de desempenho atual já é mais do que suficiente para cobrir as necessidades da maioria dos motoristas, especialmente em ambientes urbanos e suburbanos.

A abordagem para essa tecnologia é competir no segmento de mercado de massa, onde a relação custo-benefício e o desempenho em condições reais são prioritários. Enquanto isso, as baterias de lítio de alta densidade continuarão dominando os veículos premium e de longo percurso.

Por fim, o impulso para a comercialização das baterias de sódio é imparável. Segundo dados da indústria, os embarques mundiais de baterias de íons de sódio alcançaram 9 GWh em 2025, o que representa crescimento de 150% em relação ao ano anterior. As projeções indicam que esse número pode ultrapassar 1.000 GWh nos próximos quatro anos.

A CATL, por sua vez, já planejou a criação de mais de 3.000 estações de troca de baterias em 140 cidades chinesas para apoiar a adoção dessa tecnologia, com mais de 600 localizadas nas regiões mais frias do norte do país.

Até o final de 2026, espera-se que os primeiros veículos de produção em massa com baterias de sódio, como o Changan Nevo A06, cheguem às concessionárias chinesas. A era das baterias de sódio já não é uma promessa de futuro — é uma realidade tangível que está transformando a eletromobilidade a partir de suas bases.

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