Vendas de veículos elétricos em alta na América Latina: IEA reporta crescimento de 75% em 2025 impulsionado por Brasil e México

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A Agência Internacional de Energia (IEA) divulgou a última edição do seu relatório Global EV Outlook 2026, que revela que a América Latina teve um crescimento recorde na adoção de veículos eletrificados durante 2025, com um aumento de 75% nas vendas puxado pelo dinamismo dos mercados brasileiro e mexicano.

Esse desempenho supera de longe o crescimento registrado em economias maduras como a dos Estados Unidos, onde as vendas de carros elétricos ficaram relativamente estáveis. O resultado confirma uma mudança significativa nas preferências dos consumidores da região, também impulsionada pela crise energética global decorrente do conflito no Oriente Médio.

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Um mercado global a todo vapor

O estudo da IEA revela que 2025 foi um ano recorde para a indústria de veículos elétricos (VE) no mundo inteiro.

As vendas globais cresceram 20%, ultrapassando a barreira de 20 milhões de unidades vendidas – o que significa que, no final do ano passado, um em cada quatro carros novos vendidos no mundo era elétrico.

O impulso não ficou restrito aos países desenvolvidos. Mais de 100 países reportaram crescimento nas vendas de veículos elétricos durante 2025. Em um terço desses países, os VEs já representam pelo menos 10% das vendas de carros novos – um patamar que muitos analistas consideram o ponto de inflexão rumo à adoção em massa.

A crise energética em curso, resultado do conflito no Oriente Médio, colocou em evidência a dependência do petróleo e acelerou essa mudança. A frota global de veículos elétricos evitou o consumo de aproximadamente 1,7 milhão de barris de petróleo por dia (bpd) em 2025.

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Brasil e México: os motores do crescimento regional

A análise detalhada da IEA ressalta que o crescimento de 75% na América Latina não foi homogêneo, mas sim alavancado por duas economias-chave: Brasil e México.

O México teve um desempenho notável. Segundo dados da Associação de Eletromobilidade (EMA) , as vendas de veículos eletrificados (elétricos puros BEV, híbridos plug-in PHEV e de alcance estendido REEV) no país cresceram 38,5% durante 2025, chegando a 96.636 unidades comercializadas, aproximando o país norte-americano da barreira de 100 mil veículos eletrificados vendidos em um único ano.

A EMA é composta por mais de 24 empresas do setor, incluindo BYD, Tesla, JAC, Volvo e Zeekr, entre outras. A participação de mercado desses veículos no México já ultrapassa 6% do total. Além disso, a rede de recarga no país alcançou 56.726 pontos, um aumento anual de 26% segundo o Barômetro de Eletromobilidade da EMA.

O mercado brasileiro, por sua vez, também registrou um aumento notável. De acordo com a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) , o Brasil atingiu um marco na adoção de veículos elétricos ao comercializar 20.222 unidades 100% elétricas, o que representa um crescimento de 6,3% nesse segmento, enquanto o mercado de eletrificados em geral (incluindo híbridos) mostrou um dinamismo ainda maior.

Em termos de eletrificação total, a IEA indica que o Brasil liderou o mercado latino-americano com 286.691 veículos eletrificados vendidos em 2025 – um número que supera as vendas do ano anterior em mais de 108 mil unidades.

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Projeções para 2026: um ano de consolidação

O relatório Global EV Outlook 2026 não apenas analisa os números consolidados do ano passado, mas também oferece uma projeção otimista para o ano atual.

A IEA prevê que, durante 2026, serão vendidos cerca de 23 milhões de veículos elétricos no mundo todo, o que representaria quase 30% de todas as vendas de carros novos no planeta.

Em nível regional, espera-se que a Europa lidere o crescimento com um aumento de aproximadamente 20% nas vendas. A América Latina, por sua vez, continuará sua trajetória de alta com um crescimento projetado de 45% durante 2026.

Os dados preliminares do primeiro trimestre de 2026 reforçam essa visão positiva. Embora as vendas globais tenham caído 8% na comparação anual no período de janeiro a março (principalmente devido a mudanças regulatórias nos Estados Unidos e uma pausa nos incentivos na China), a América Latina desafiou essa tendência e voltou a crescer 75% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Em março de 2026, a IEA aponta que cerca de 90 países relataram aumento nas vendas de VE, e aproximadamente 30 registraram recordes históricos mensais – demonstrando o dinamismo estrutural desse mercado.

Fatores que impulsionam a transição

O notável crescimento da mobilidade elétrica na região é fruto de uma combinação de fatores que se reforçam mutuamente:

  • Crise energética e economia de custos: A alta do preço do petróleo, resultado do conflito no Oriente Médio, tornou os veículos elétricos economicamente mais atraentes. Os veículos elétricos geralmente têm custos operacionais menores do que os de combustão interna. Por exemplo, com base nos preços médios do petróleo em abril de 2026, a economia anual em combustível para quem dirige um veículo elétrico na União Europeia cresceu 35% em comparação com as economias de 2025. Para frotas corporativas, essa economia pode ser várias vezes maior.
  • Incentivos governamentais: Tanto o Brasil quanto o México implementaram políticas ativas para fomentar a eletromobilidade. O Brasil eliminou as tarifas de importação de componentes-chave de veículos eletrificados – medida válida até setembro de 2027. O México, por sua vez, eliminou o Imposto sobre Carros Novos (ISAN) para veículos híbridos e elétricos desde 2012, e a EMA destaca que a economia no uso de um veículo elétrico pode chegar a até 70% em comparação com um carro a gasolina.
  • Maior oferta e participação de fabricantes chineses: A presença crescente de montadoras asiáticas democratizou o acesso à tecnologia. As montadoras chinesas forneceram 60% dos veículos elétricos vendidos no mundo em 2025.
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Perspectivas para a região

Olhando para o futuro, as perspectivas para a mobilidade sustentável na região e no mundo são altamente positivas.

A AIE projeta que, até 2035, a frota global de veículos elétricos chegará a 510 milhões de unidades – o que representará seis vezes os níveis atuais e aproximadamente metade das vendas de carros novos no mundo.

Apesar do forte crescimento das vendas, a América Latina ainda enfrenta desafios significativos. O Ipsos Mobility Report 2026 (estudo realizado em 31 países pela principal empresa de pesquisa de mercado) aponta que, embora 47% das pessoas no mundo achem atraente dirigir um veículo elétrico (com uma predisposição ainda maior na América Latina e Ásia-Pacífico), a transição não é homogênea e persiste uma lacuna entre a disponibilidade de inovação e sua adoção efetiva.

A América Latina está numa encruzilhada única, onde a combinação de crise energética, incentivos governamentais, crescente consciência ambiental e uma oferta cada vez mais variada de veículos está catalisando uma transição rumo a uma mobilidade mais limpa e eficiente.

A conversa continua

A cúpula em San Pedro Garza García foi apenas o início de um percurso que levará este diálogo por toda a região. Será a oportunidade para continuar construindo, a partir do diálogo aberto e da colaboração multissetorial, o caminho para um futuro mais limpo, eficiente e sustentável para o transporte e a logística em toda a região.

Através de suas paradas em Cidade do México, Colômbia e Chile, a plataforma continuará promovendo uma abordagem colaborativa para acelerar a transição para sistemas de transporte mais limpos, eficientes e inclusivos, posicionando a América Latina como um ator relevante na mobilidade sustentável em nível global.

Faça parte do movimento que acelera a transformação energética e urbana da América Latina. Se você quiser saber mais detalhes sobre como participar e opções de posicionamento, clique aqui.