O Brasil encerra 2025 com novo recorde de eletromobilidade: a ABVE mostra que os veículos elétricos crescem 10 vezes mais do que o mercado total

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De acordo com dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), o mercado brasileiro de veículos leves eletrificados voltou a marcar um marco em 2025 e confirmou que a transição para novas tecnologias não é mais uma promessa futura, mas uma realidade consolidada.

Com 223.912 unidades vendidas no ano, o segmento atingiu o maior volume de sua história e cresceu 26% em relação a 2024, informou a entidade.

O desempenho contrasta fortemente com o mercado automotivo como um todo, que avançou apenas 2,6% no mesmo período.

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Fim de ano histórico para a eletromobilidade

O impulso definitivo veio em dezembro, que se tornou o melhor mês já registrado para veículos elétricos no Brasil.

Somente nesse mês, foram registradas 33.905 unidades, um salto de 60% em relação a novembro e de 57% em relação a dezembro de 2024.

A participação de mercado atingiu 13% de todas as vendas de veículos leves no país, um nível sem precedentes na série histórica da ABVE e um sinal claro de maturação do setor.

No acumulado do ano, os veículos elétricos representaram 9% das vendas totais de veículos leves no Brasil, em um mercado que fechou 2025 com 2,55 milhões de unidades comercializadas.

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ABVE: 10 vezes mais rápido

O contraste entre o desempenho dos veículos elétricos e o restante do mercado é um dos principais indicadores da mudança estrutural pela qual passa a indústria.

Enquanto o total de veículos leves vendidos no Brasil cresceu pouco mais de 2% entre 2024 e 2025, os modelos elétricos avançaram a um ritmo dez vezes maior.

Para a ABVE, esse diferencial confirma que a adoção de novas tecnologias continua mesmo em um contexto macroeconômico mais desafiador, especialmente durante o segundo semestre do ano.

Além do volume recorde, o setor ultrapassou pela primeira vez a barreira simbólica de 200 mil veículos elétricos vendidos em um único ano.

O contraste histórico é eloquente: em 2016, o mercado comemorava ter atingido pouco mais de mil unidades; uma década depois, o crescimento acumulado ultrapassa 20.000%.

Outro fator decisivo foi o início da produção local de veículos elétricos puros e elétricos plug-in.

Durante 2025, novas fábricas começaram a operar, como a da GWM em Iracemápolis (São Paulo), a BYD em Camaçari (Bahia) e o polo multimarcas de Horizonte (Ceará), onde foi iniciada a produção de modelos da General Motors.

Essa localização da fabricação reforça a cadeia de valor, impulsiona a geração de empregos e reduz as barreiras de acesso para o consumidor.

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Mais modelos e o domínio dos elétricos

A expansão da oferta também foi determinante. Ao longo de 2025, foram comercializados cerca de 400 modelos eletrificados diferentes no país, 26% a mais que em 2024, segundo a ABVE.

Essa maior diversidade permitiu atender a diferentes perfis de consumo e faixas de preço, acelerando a adoção fora dos nichos tradicionais de alto poder aquisitivo.

Os veículos elétricos plug-in, que incluem tanto os 100% elétricos (BEV) quanto os híbridos plug-in (PHEV), concentraram a maior parte do crescimento.

Em dezembro, representaram 78% das vendas de veículos elétricos, com 26.511 unidades, e no acumulado anual atingiram 181.542 veículos, equivalentes a 81% do total do segmento.

Os híbridos plug-in lideraram o mercado durante todo o ano, com 101.364 unidades vendidas, um aumento de 58% em relação a 2024.

Os BEV, por sua vez, encerraram 2025 com 80.178 unidades, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior e uma participação de cerca de 36% do total de veículos elétricos.

O papel dos híbridos e micro-híbridos

Os híbridos sem recarga externa, tanto os HEV a gasolina quanto os HEV Flex, também apresentaram uma evolução positiva.

Em dezembro, representaram 22% das vendas mensais de veículos elétricos e encerraram o ano com 42.370 unidades, equivalentes a 19% do total.

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O maior dinamismo foi observado nos HEV Flex, impulsionados pela sua adaptação ao uso de etanol e por uma maior oferta de modelos.

E embora não façam parte da contagem principal de veículos elétricos da ABVE, os veículos micro-híbridos (MHEV) apresentaram uma expansão notável.

Em 2025, foram vendidas mais de 61 mil unidades, quase quatro vezes mais do que em 2024, um crescimento explicado pela chegada de novos modelos e estratégias de eletrificação leve por parte das montadoras.

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Uma eletromobilidade distribuída

Do ponto de vista geográfico, o Sudeste continua sendo o principal polo da eletromobilidade brasileira, com 46,4% das vendas em 2025.

No entanto, sua participação vem diminuindo gradualmente diante do avanço de outras regiões. O Sul se consolidou em segundo lugar, enquanto o Nordeste conseguiu se posicionar como a terceira região com maior volume de vendas, superando o Centro-Oeste no balanço anual.

Esse movimento reflete uma lenta, mas constante, desconcentração do mercado, embora as capitais ainda concentrem pouco mais da metade dos registros de veículos eletrificados no país.

Para a ABVE, a mensagem central que os números de 2025 deixam é clara: os veículos elétricos já conquistaram a confiança do consumidor brasileiro.

Com crescimento sustentado, investimentos industriais, maior diversidade de modelos e uma presença cada vez mais ampla no território, a eletromobilidade se consolida como o segmento mais inovador e dinâmico do mercado automotivo do país.

Nesse contexto, 2026 se perfila como um ano fundamental para aprofundar a transição tecnológica, com novos lançamentos, maior produção local e um papel cada vez mais relevante do Brasil no mapa regional da mobilidade de baixas emissões.

2026 como ano de consolidação

Mais do que anúncios ambiciosos, 2026 será um ano para medir resultados. A mobilidade elétrica e de baixas emissões deixará de ser avaliada pelo número de projetos-piloto e passará a ser julgada por sua capacidade de operar em escala, reduzir emissões reais e melhorar a qualidade de vida urbana.

Para a América Latina, o desafio será capitalizar sua experiência em transporte público elétrico, fechar lacunas de infraestrutura e construir políticas estáveis que permitam que a transição não seja apenas verde, mas também inclusiva e economicamente viável.

Com a Turnê 2026, a Latam Mobility reafirma seu compromisso de construir uma agenda regional que conecte visão, política pública, inovação e mercado.

Através de suas paradas em Monterrey e Cidade do México, Brasil, Colômbia e Chile, a plataforma continuará promovendo uma abordagem colaborativa para acelerar a transição para sistemas de transporte mais limpos, eficientes e inclusivos, posicionando a América Latina como um ator relevante na mobilidade sustentável em nível global.

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