BYD, fabricante chinês líder em veículos elétricos, está experimentando um aumento significativo na demanda em toda a América, com México e Argentina fazendo um pedido combinado de 100.000 unidades da nova fábrica da Bahia, no leste do Brasil.
De acordo com a Vice-Presidente da BYD, Stella Li, este marco tem importantes implicações para o crescimento da empresa e a adoção global de veículos elétricos (EVs).
O anúncio da semana passada impulsionou o preço das ações da BYD, refletindo a confiança dos investidores na expansão regional e na estratégia da empresa.
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BYD domina o mercado no México
Em 2025, a BYD conquistou pelo menos 70% do mercado mexicano de veículos elétricos, dobrando seu volume em relação ao ano anterior.
O modelo Dolphin Mini (também conhecido como Seagull) tornou-se o veículo mais vendido, impulsionando grande parte das vendas.
As marcas chinesas representaram 20% do mercado total de carros novos no México, e estima-se que os veículos plug-in tenham totalizado cerca de 100.000 unidades em 2025.
O pedido de 50.000 veículos do Brasil equivale à maioria das vendas da BYD no México e à metade do mercado de EVs do ano passado.
Embora o México tenha aumentado as tarifas de veículos provenientes de países sem acordos comerciais de 20% para 50%, afetando principalmente a China sob pressão do governo dos EUA, o acordo comercial com o Brasil e este pedido de 50.000 veículos mitigam grande parte do impacto das tarifas.

Argentina: mercado com alto potencial de crescimento
Na Argentina, o impacto potencial é ainda maior. Em 2025, o país vendeu 26.632 veículos eletrificados, dos quais 76% eram híbridos não plug-in, restando apenas 6.400 BEVs e PHEVs, ou seja, um pouco mais de 1% dos 571.308 veículos novos vendidos.
Atualmente, a BYD detém cerca de 75% do mercado de EVs na Argentina, portanto, o pedido vindo do Brasil pode multiplicar o tamanho do mercado argentino de veículos elétricos.
Além disso, a Argentina isentou os primeiros 50.000 veículos plug-in importados de tarifas, o que pode aumentar as importações da China.
Graças ao acordo comercial do Mercosul com o Brasil, as vendas podem ultrapassar essa cota, transformando significativamente o mercado de EVs no país.
Dolphin Mini: líder de vendas no Brasil
O Dolphin Mini (Seagull) tornou-se o veículo mais vendido no varejo brasileiro em fevereiro, com mais de 4.100 unidades, marcando a primeira vez que um EV ou uma marca chinesa lidera essa categoria.
Incluindo vendas governamentais e corporativas, o modelo ocupa a 11ª posição no total de vendas, mas o crescimento anual foi de 64%, seguindo o forte desempenho de janeiro.
Este foco nas vendas privadas pode indicar uma tendência futura, pois medidas protecionistas e mudanças regulatórias na Europa podem reduzir a disponibilidade de EVs como carros corporativos, deixando os compradores privados como o público principal, como ocorreu no Brasil.
Produção localizada e expansão no Brasil
A BYD vendeu aproximadamente 112.900 veículos no Brasil em 2025 e tem como objetivo atingir 250.000 unidades este ano.
Embora o Brasil tenha revogado recentemente a isenção de tarifas para veículos montados localmente (CKD), com tarifas que subirão para 35% até o final do ano, a BYD planeja produzir 50% dos componentes localmente, evitando essas tarifas.
A fábrica da Bahia produz modelos como Dolphin Mini, Song Pro (Sealion 5 na Europa) e King (anteriormente Chaser na China). A produção do Yuan Plus (Atto 3), atualmente substituído na China, também está planejada.
A fábrica pretende ampliar sua capacidade inicial de 150.000 para 300.000 unidades este ano, distribuindo a produção entre Brasil, México e Argentina, com possibilidade de exportação para mercados como a África.

BYD e a transformação dos mercados de EVs
A BYD também está fortalecendo sua presença no Canadá, com potencial para iniciar produção local por meio de um possível acordo de livre comércio com o Mercosul, abrindo novas rotas de exportação.
A capacidade final da planta da Bahia pode chegar a 600.000 unidades, mais rápido do que o esperado, enquanto outras plantas da BYD na Indonésia e Hungria avançam com produção em massa.
Na China, a BYD está realizando a maior transição de produtos desde o lançamento da Blade Battery em 2020, com atualizações e substituições de todos os modelos, preparando a próxima fase da eletrificação de veículos no mercado mais competitivo do mundo.
A tecnologia de veículos elétricos está consolidada e continuará crescendo globalmente, embora políticas protecionistas ou restrições locais possam frear a competição, aumentar preços e reduzir a adoção em alguns mercados.
No entanto, mesmo veículos de gerações anteriores permanecem competitivos em mercados emergentes. Apesar dos obstáculos políticos, a demanda e a adoção de EVs continuam a crescer, e os mercados mais favoráveis podem ter crescimento acelerado, posicionando a BYD como um player chave na expansão de veículos elétricos nas Américas e no mundo.
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