Canal Solar aposta no armazenamento BESS como solução para recarga de veículos

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No âmbito do Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026, o CEO do Canal Solar, Bernardo Marangón, apresentou a palestra intitulada “Quando a energia solar encontra o asfalto” .

Durante sua fala, o especialista do setor elétrico brasileiro traçou um paralelo entre o crescimento explosivo da energia solar fotovoltaica no Brasil e o potencial igualmente disruptivo da eletromobilidade. Sua mensagem foi direta: o setor elétrico e a mobilidade compartilham o mesmo futuro, e esse futuro é agora.

Bernardo Marangón – reconhecido no setor por seu trabalho à frente do Canal Solar e como impulsionador do Canal VE (iniciativa que une o setor elétrico à eletromobilidade) – começou sua apresentação destacando um dado: a matriz elétrica do Brasil é majoritariamente renovável.

“Isso é algo do qual temos que nos orgulhar” , afirmou. E acrescentou que, embora a fonte hídrica tenha sido historicamente a principal, a energia solar se tornou a segunda fonte mais importante do país em muito pouco tempo.

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O tsunami da energia solar

Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi quando Bernardo Marangón colocou em perspectiva o crescimento do setor solar no Brasil.

“Em 2018, inaugurei uma usina de meio megawatt em São Paulo e com isso aumentei em 30% a capacidade instalada do estado. Em nove anos, passamos de pouco mais de 30 megawatts para 55 gigawatts. Isso foi uma onda, um tsunami de oportunidades” , enfatizou.

O executivo do Canal Solar explicou que esse crescimento vertiginoso abriu um mundo de possibilidades para integradores, distribuidores de equipamentos e toda uma cadeia de valor. No entanto, alertou que, devido a mudanças nas regras de compensação, o setor solar entrou em um planalto.

“Continua crescendo, mas já não é o mercado de crescimento exponencial de antes” , assinalou. E foi aí que ele introduziu sua tese principal: a eletromobilidade é hoje o setor de grande oportunidade, comparável ao solar de 2018.

“Eu lembro de 2018, quando comecei no solar, e espero que dentro de nove anos a curva da eletromobilidade seja um pontinho no final de uma curva exponencial. Este setor vai ter um crescimento fortíssimo”, garantiu.

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A necessidade de construir algo que perdure

Bernardo Marangón compartilhou uma lição aprendida na indústria solar: “Para ter sucesso em qualquer coisa que você queira fazer, o ideal é estar em um setor de alto crescimento. Eu costumo dizer que são negócios à prova de idiotas: qualquer um que entra num mercado em grande crescimento vai ganhar dinheiro.”

Mas alertou que a maioria daqueles que fizeram negócios no setor solar não construiu algo que perdurasse. “Você vai ter capital, vai ter pessoas interessadas em entrar, mas você precisa ter a capacidade de construir algo que permaneça” , refletiu.

Além disso, o CEO do Canal Solar identificou o principal obstáculo para a massificação do veículo elétrico: a infraestrutura de recarga. “Como esses carros vão ser carregados, seja em casa ou na rua, através de estações de recarga?” , perguntou, e apontou que as redes de distribuição têm capacidade limitada.

Ele deu o exemplo do que foi visto no Latam Mobility Brasil 2026 sobre garagens de ônibus: “A capacidade da distribuidora para carregar os ônibus é limitada. Ou você amplia a rede – o que é muito difícil em cidades como São Paulo, onde já não há potência disponível – ou você busca outra solução.”

Essa solução, segundo Marangón, é o BESS (Battery Energy Storage System), ou sistema de armazenamento de energia em baterias. “Enquanto houver limite de crescimento das redes, o BESS aparece como uma possibilidade para atender a demanda que a recarga vai exigir, seja em garagens de ônibus ou em condomínios” , explicou.

E lançou uma previsão: “Todas as vagas de estacionamento vão ter um carregador.” Isso gerará um problema de demanda nos condomínios, e a distribuidora não terá capacidade de ampliar a rede na velocidade necessária. “Por isso a solução está no BESS” , afirmou.

O ecossistema solar migra para a eletromobilidade

Bernardo Marangón destacou um fenômeno que já está acontecendo: o ecossistema da energia solar está abraçando a eletromobilidade. “Vejo fornecedores e integradores que trabalhavam com placas solares e inversores, e hoje instalam ou vendem estações de recarga” , relatou.

E observou que essa migração ajudará a acelerar o crescimento, porque o setor solar já construiu uma estrutura de importadores, fabricantes locais e canais de distribuição. “A estrutura já está montada. Por consequência, vamos crescer a uma velocidade muito maior” , garantiu.

Um dos pontos mais inovadores de sua exposição foi o conceito de V2G (Vehicle to Grid) ou V2L (Vehicle to Load). Marangón comparou a bateria de um carro elétrico – cerca de 35 kWh em um veículo pequeno – com a necessidade de uma residência, que com 5 kWh pode funcionar várias horas durante uma queda de energia.

“Um carro pequeno tem sete vezes a necessidade da minha casa. Eu poderia ficar um ou dois dias sem energia, e se a bateria acabar, posso ir a uma estação de recarga e voltar com ela” , explicou. Para ele, esse é um negócio de grande potencial.

Múltiplas oportunidades

Durante sua intervenção no Latam Mobility Brasil 2026, Bernardo Marangón detalhou as quatro grandes áreas de oportunidade que ele enxerga:

  • Geração solar: ainda tem espaço, especialmente no mercado livre (clientes de alta tensão) e na modalidade de geração compartilhada, onde os preços atuais tornam a energia solar competitiva para fábricas e comércios.
  • BESS (armazenamento) : é um mercado que está começando agora, mas tem potencial de investimento ainda maior que o da energia solar, porque as baterias podem ser instaladas até mesmo em apartamentos – um cliente que a energia solar não conseguia alcançar.
  • Eletropostos (estações de recarga) : são a infraestrutura necessária para que carros, caminhões e ônibus possam ser carregados.
  • Condomínios: serão um mercado enorme porque todas as suas garagens vão precisar de carregadores.

O CEO do Canal Solar também destacou o papel da educação. “No mundo da educação, damos aulas de como instalar geração solar. Hoje nosso best-seller é o curso de BESS, onde capacitamos mais de 100 pessoas por mês” , revelou. E anunciou que no segundo semestre lançarão um novo curso sobre a integração da eletromobilidade.

Em seu encerramento, Bernardo Marangón resumiu sua visão: “A energia solar vai ajudar a reduzir o custo, o BESS vai ajudar com a questão da demanda e da qualidade da energia, e os carregadores – talvez não os de um megawatt em cinco minutos porque seriam muito caros, mas não duvido da capacidade dos chineses de baratear soluções – vão estar em todas as garagens.”

E deixou uma frase: “O setor elétrico e a mobilidade são o mesmo futuro, e a hora é agora.” Em seguida, convidou a audiência a se juntar a essa onda, assegurando que dentro de nove anos muitos dos presentes estarão vendo essa curva exponencial no ponto mais alto.

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Um 2026 de consolidação para a mobilidade

O Tour Latam Mobility 2026 continua sua jornada. O próximo encontro será em Medellín, Colômbia, nos dias 10 e 11 de junho, e depois chegará a Santiago, Chile, em 25 de agosto, reunindo especialistas e atores estratégicos para fortalecer ainda mais o ecossistema de mobilidade sustentável na região.

O tour terminará na Cidade do México nos dias 12 e 13 de outubro, junto com o Climate Economy Forum, num evento que reunirá grandes referências do setor para continuar impulsionando a transição para sistemas de transporte mais eficientes, sustentáveis e de baixas emissões na América Latina.

A transição já está em curso. O Tour 2026 da Latam Mobility será o ponto de encontro para acelerar decisões, conectar os atores‑chave e construir, de forma colaborativa, a mobilidade sustentável da América Latina.