A China lançou uma plataforma nacional inovadora de rastreabilidade para baterias de veículos elétricos, que atribui uma identidade digital única a cada bateria para rastrear todo o seu ciclo de vida, desde a fabricação até a reciclagem.
Esse sistema, de cumprimento obrigatório, torna a China o primeiro país a estabelecer um passaporte digital massivo e vinculativo para baterias de veículos de energia nova (NEV), em um contexto de rápida expansão do setor e crescentes preocupações com a segurança e a gestão sustentável de resíduos.
A nova ferramenta, impulsionada pelo Ministério da Indústria e Tecnologias da Informação da China (MIIT) e apoiada por seis departamentos governamentais, integra os dados de fabricantes, distribuidores, oficinas de reparo e empresas de reciclagem em um único sistema nacional.
Seu objetivo é claro: que nenhum veículo elétrico possa ser vendido ou colocado em circulação sem o respectivo registro digital de sua bateria, garantindo assim a transparência e a segurança em toda a cadeia de valor.
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Uma identidade digital para as baterias
Wang Pan, especialista do Centro de Tecnologia e Pesquisa Automotiva da China (CATARC), declarou à emissora estatal CCTV: “As empresas deverão carregar informações em cada fase, de acordo com a regulamentação vigente. Isso permitirá construir uma cadeia fechada de responsabilidade e facilitar o acesso a dados técnicos para as empresas dedicadas à reciclagem e aproveitamento”.
O sistema, popularmente conhecido como “identidade digital” ou “DNI da bateria”, baseia-se em uma regulamentação histórica: o “Regulamento Provisório para a Recuperação e Aproveitamento Integral de Baterias de Veículos Elétricos”, promulgado em 31 de dezembro de 2025 por seis ministérios, entrou em vigor no último dia 1º de abril de 2026.
Essa norma estabelece a obrigatoriedade do “Documento de Identidade Digital da Bateria” para cada unidade, registrando sua produção, venda, manutenção, substituição, desmanche e reciclagem, de modo que seja consultável, rastreável e verificável a qualquer momento.
As autoridades de Pequim utilizarão a plataforma para realizar supervisão em tempo real, emitir alertas de risco e coordenar informações entre os diferentes atores do setor.
Com essa tecnologia, a China busca principalmente combater práticas irregulares, como o desmantelamento ilegal de baterias, a revenda de células usadas como novas e a proliferação de oficinas clandestinas que operavam à margem da lei, regulamentando um mercado que cresce em alta velocidade devido à alta demanda por veículos elétricos.

Economia circular e mercado em grande escala
Com mais de 43 milhões de veículos elétricos em circulação (a maior frota do mundo), a China enfrenta uma avalanche de baterias no fim de sua vida útil que atingiria um pico de 1.700 GWh até 2030.
A nova lei exige que o veículo e a bateria sejam descartados juntos: se um carro for enviado para o desmanche sem a bateria correspondente, o processo é rejeitado, evitando assim que as baterias acabem no mercado negro ou sejam reinseridas de forma perigosa no mercado.
A iniciativa está alinhada com a regulamentação internacional, especialmente com o “Passaporte de Baterias” da União Europeia, que entrará em vigor entre 2026 e 2027.
No entanto, o sistema chinês tem uma abordagem específica: enquanto o passaporte europeu exige rastreabilidade desde a extração das matérias-primas, a identidade digital chinesa prioriza o controle do ciclo completo do produto já fabricado, com ênfase especial na reciclagem e no mercado de segunda vida.
A norma do passaporte digital de baterias na China prevê a inclusão de dados sobre pegada de carbono, porcentagem de materiais reciclados e critérios ESG. As empresas multinacionais e os fabricantes estão adaptando suas cadeias de suprimentos a essa nova exigência, que se perfila como um padrão global de fato para veículos elétricos nos próximos anos.
O objetivo final, tanto em Pequim quanto em Bruxelas e Washington, não é apenas a segurança viária, mas alcançar um modelo de economia circular que torne a revolução do carro elétrico sustentável a longo prazo.

Medellín como o epicentro da eletromobilidade regional
Este anúncio de investimento em infraestrutura elétrica ganha especial relevância no âmbito do Latam Mobility Colômbia 2026, o encontro mais importante do setor de mobilidade sustentável na região.
O evento está programado para os dias 10 e 11 de junho no emblemático Orquideorama do Jardim Botânico de Medellín, um cenário que funde natureza, inovação e futuro.
Durante dois dias, mais de 1.000 participantes entre líderes empresariais, formuladores de políticas públicas, especialistas em tecnologia e representantes do ecossistema de mobilidade compartilharão experiências, cases de sucesso e estratégias para acelerar a transição energética na América Latina.
O encontro contará com a participação especial da Costa Rica como país convidado, o que permitirá um intercâmbio de boas práticas entre duas nações que avançaram significativamente na descarbonização de sua frota automotiva.
A agenda incluirá painéis sobre infraestrutura de recarga, eletrificação de frotas comerciais, financiamento verde, regulação e o papel dos veículos elétricos na construção de cidades mais habitáveis. Medellín, reconhecida globalmente por sua vocação inovadora, se tornará assim o epicentro das discussões que definirão o rumo da mobilidade na próxima década.
Para todos os atores envolvidos na cadeia de valor da eletromobilidade, desde fabricantes e provedores de tecnologia até operadores de frotas e entidades governamentais, o Latam Mobility Colômbia 2026 representa uma oportunidade incomparável para estabelecer alianças, conhecer as últimas tendências do setor e contribuir ativamente para o desenho de um futuro mais limpo, eficiente e conectado.
O encontro é no Jardim Botânico de Medellín nos dias 10 e 11 de junho. A mobilidade sustentável não espera: a hora de agir e colaborar é agora. Compre seus ingressos aqui.




