Power pooling, armazenamento DC e carregadores de 720 kW: o portfólio da Huawei para frotas de ônibus elétricos

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No âmbito do primeiro dia do “Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026”, foi realizada a palestra magna intitulada “Portfólio de soluções de recarga: inovação, tecnologias e aplicações de mercado”, ministrada por Bruno Iván Zavaleta, Data Center and Critical Power Latin America CTO da Huawei.

A apresentação abordou o papel fundamental da infraestrutura de recarga para desbloquear o potencial da eletromobilidade na região.

Bruno Iván Zavaleta começou sua intervenção destacando que, embora o Brasil já pudesse ter duplicado sua frota de ônibus elétricos, o principal obstáculo não é a falta de energia elétrica, mas sim a carência de infraestrutura adequada nos pontos de recarga.

“O país tem energia suficiente, mas o problema está na infraestrutura: cabos, transformadores e a capacidade de levar essa energia até onde ela é necessária”, explicou o executivo.

Atualmente, São Paulo conta com aproximadamente 1.300 ônibus elétricos e espera incorporar mais 1.200 no curto prazo, o que dobrará a demanda por recarga. Diante desse cenário, a Huawei propõe soluções tecnológicas integradas que permitam escalar a infraestrutura de maneira eficiente e rentável.

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Lições globais

Bruno Iván Zavaleta situou o debate no contexto internacional. Na China, o país mais avançado no assunto, já foram concluídas duas rodadas de eletrificação (transporte público e táxis), e atualmente o país está na terceira onda, voltada para caminhões de logística elétricos, com uma penetração próxima a 72% em veículos de passageiros.

Na Europa, a Noruega lidera a transição com quase 96% de penetração de ônibus elétricos. Na Ásia-Pacífico e no Oriente Médio, cidades como Hong Kong e Singapura também estão avançando com taxas de penetração entre 30% e 60%. “O mundo está girando em direção à eletromobilidade, não apenas por razões ambientais, mas também por independência energética“, destacou Bruno Iván Zavaleta.

Por outro lado, Bruno Iván Zavaleta diferenciou dois cenários principais para a recarga. O primeiro, dentro das cidades, onde o desafio é dispor de capacidade elétrica suficiente no ponto de recarga devido a limitações de transformadores e cabos existentes. O segundo, em estradas e rodovias, onde os pontos de recarga costumam estar distantes de fontes de energia de alta potência.

O executivo revelou um dado fundamental: 50% do investimento necessário para instalar um ponto de recarga é destinado à infraestrutura elétrica prévia (transformadores, cabos, adequações). “Por isso precisamos de soluções que reduzam esse custo e acelerem o retorno do investimento”, afirmou.

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Bruno Iván Zavaleta

A solução integrada da Huawei

Diante desses desafios, a Huawei apresentou sua proposta tecnológica: uma solução end-to-end que integra três componentes essenciais. Em primeiro lugar, um sistema de energia limpa baseado em painéis solares com inversores inteligentes capazes de gerar a potência necessária.

Em segundo lugar, um sistema de armazenamento energético que permite acumular o excedente solar para utilizá-lo quando não houver sol; e em terceiro lugar, carregadores ultrarrápidos que operam com potências entre 600 e 720 quilowatts, muito acima dos padrões atuais.

“Não falamos de carregadores de 40 quilowatts, mas de sistemas de alta capacidade, inteligentes e completamente interconectados“, enfatizou Bruno Iván Zavaleta. A solução da Huawei não apenas integra os equipamentos, mas os gerencia de maneira centralizada por meio de inteligência artificial.

O portfólio apresentado oferece três vantagens competitivas. A primeira é a qualidade superior, tratando-se de um sistema único com garantia integral, não garantias separadas para cada componente. A segunda é a otimização das receitas: o sistema, por meio de algoritmos de IA, decide quando utilizar a energia da rede e quando utilizar a energia armazenada ou solar, conforme os preços horários e a demanda, maximizando assim a rentabilidade do operador de recarga.

“Se neste momento a energia da rede é mais cara do que a que temos armazenada, o sistema balanceia automaticamente o fornecimento para melhorar o resultado financeiro“, explicou o CTO. A terceira vantagem é a segurança, tanto operacional quanto para as pessoas e os próprios veículos. Todos os sistemas incluem proteções avançadas para evitar acidentes ou danos durante a recarga.

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Distribuição inteligente e aplicações modulares

Bruno Iván Zavaleta introduziu o conceito de “power pooling” (agrupamento de energia), semelhante a uma piscina de água com múltiplas saídas que se abrem conforme a necessidade. Em uma estação de recarga com vários veículos conectados simultaneamente (um automóvel pequeno, um ônibus ou um caminhão), o sistema aloca a potência de maneira dinâmica e eficiente, evitando perdas por capacidade ociosa.

O executivo mostrou exemplos de monitoramento em tempo real, onde o operador pode visualizar cada componente, controlar o consumo, gerenciar os custos da energia vendida e administrar picos de demanda que, de outra forma, gerariam penalizações econômicas.

A solução da Huawei se adapta a diferentes escalas por meio de uma arquitetura modular. Existem sistemas industriais de 215 quilowatts por módulo, que podem ser escalonados de um a vinte módulos, atingindo capacidades de vários megawatts.

Para grandes frotas, como a do governo de São Paulo, podem ser implementados sistemas de armazenamento de até 5 megawatts, conectados diretamente a carregadores de ônibus em corrente contínua.

Bruno Iván Zavaleta destacou a evolução tecnológica: de sistemas que conectavam em corrente alternada (CA) para sistemas atuais que operam integralmente em corrente contínua (CC) , eliminando perdas por conversões desnecessárias. “Conectar diretamente o carregador de CC com o sistema de armazenamento em CC otimiza a eficiência e reduz custos“, afirmou.

“Podemos trabalhar junto com vocês para desenvolver uma solução de recarga completamente integrada, eficiente e com um retorno de investimento muito positivo“, destacou.

A apresentação deixa claro que a eletromobilidade não é apenas uma questão de veículos, mas de ecossistemas completos, onde a infraestrutura de recarga inteligente, renovável e modular é a espinha dorsal para que o Brasil e a América Latina possam cumprir suas metas de descarbonização rumo a 2030.

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A agenda para descarbonizar o transporte

A Latam Mobility promove o diálogo dos principais líderes do setor ao longo de sua turnê 2026, que percorrerá os principais mercados da região para aprofundar esses e outros temas cruciais para a transformação da mobilidade.

Através de suas paradas em Monterrey e Cidade do México, Brasil, Colômbia e Chile, a plataforma continuará promovendo uma abordagem colaborativa para acelerar a transição para sistemas de transporte mais limpos, eficientes e inclusivos, posicionando a América Latina como um líder relevante na mobilidade sustentável em nível global.

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