S\u00e3o Paulo ser\u00e1 sede do \u201cLatam Mobility & Net Zero Brasil 2026\u201d, o principal encontro regional de mobilidade sustent\u00e1vel<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\nA conversa come\u00e7ou com uma radiografia da matriz energ\u00e9tica venezuelana. Geinny L\u00f3pez<\/strong> apontou que o pa\u00eds gera atualmente 70% da sua eletricidade a partir de hidrel\u00e9tricas<\/strong> (principalmente o complexo de Guri) e 30% por meio de termel\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n\u201cA\u00ed vemos uma necessidade e uma demanda de modernizar o sistema el\u00e9trico para que ele possa lidar com a intermit\u00eancia das renov\u00e1veis\u201d, explicou, ecoando relat\u00f3rios da CEPAL <\/strong>sobre integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\nLuis Mar\u00edn<\/strong> complementou essa vis\u00e3o ao destacar que as necessidades mais profundas n\u00e3o est\u00e3o tanto na gera\u00e7\u00e3o, mas na transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u201cPodemos ter a gera\u00e7\u00e3o no m\u00e1ximo, mas se o fluido el\u00e9trico n\u00e3o chega aos centros de consumo, o problema persiste\u201d, alertou.<\/p>\n\n\n\nMar\u00edn tamb\u00e9m trouxe um n\u00famero contundente: o setor petrol\u00edfero venezuelano precisar\u00e1 de cerca de 20.000 MW adicionais<\/strong> para alcan\u00e7ar os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o projetados, o que exigir\u00e1 um crescimento paralelo e robusto do sistema el\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\nEvelyn Quintero<\/strong> trouxe dados animadores: em 2023, 77% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica da Venezuela veio de fontes renov\u00e1veis<\/strong> (principalmente hidrel\u00e9trica). No entanto, ressaltou que a energia solar e e\u00f3lica ainda s\u00e3o marginais, embora j\u00e1 comecem a chegar investimentos de empresas que buscam manter sua produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera sob crit\u00e9rios ESG.<\/p>\n\n\n\n\u201cA Venezuela vai escalar nessa matriz porque o mundo precisa. Nosso petr\u00f3leo tem que ser produzido da forma mais amig\u00e1vel poss\u00edvel\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\nRonaldo Sandoval, Luis Mar\u00edn (acima) e Geinny L\u00f3pez, Evelyn Quintero (abaixo)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\nDe comunidades solares \u00e0 mobilidade el\u00e9trica<\/h2>\n\n\n\n Apesar dos desafios, os participantes destacaram iniciativas concretas que j\u00e1 est\u00e3o em andamento no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n
Geinny L\u00f3pez<\/strong> mencionou os sistemas solares aut\u00f4nomos em comunidades vizinhas, especialmente em regi\u00f5es ind\u00edgenas e fronteiri\u00e7as como a Pen\u00ednsula de La Guajira<\/strong>, onde se prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o de cerca de 20.000 sistemas solares<\/strong>. Esses projetos n\u00e3o apenas atendem \u00e0 necessidade de fornecimento el\u00e9trico, mas tamb\u00e9m garantem acesso \u00e0 \u00e1gua por meio de bombeamento solar.<\/p>\n\n\n\nEm mat\u00e9ria de mobilidade sustent\u00e1vel, L\u00f3pez destacou o papel de empresas como Verdi<\/strong> e Swing Energy<\/strong>, que est\u00e3o desenvolvendo infraestrutura de recarga para ve\u00edculos el\u00e9tricos, embora ainda concentrada em cidades principais como Caracas. \u201cO investimento nesse setor vem principalmente do setor privado\u201d, apontou.<\/p>\n\n\n\nLuis Mar\u00edn<\/strong> acrescentou que, durante a pandemia, a Venezuela viveu uma crise de disponibilidade de combust\u00edveis que impulsionou o interesse por alternativas el\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n\u201cO combust\u00edvel mais caro \u00e9 aquele que n\u00e3o se tem. Surgiram projetos importantes de mobilidade el\u00e9trica ancorados no sistema nacional, mas ainda sem matriz pr\u00f3pria de gera\u00e7\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n
G\u00e1s natural: o combust\u00edvel de transi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n Um dos pontos mais destacados do painel foi o papel do g\u00e1s natural como ponte para uma matriz mais limpa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\nLuis Mar\u00edn<\/strong> enfatizou que os projetos de g\u00e1s natural s\u00e3o entre quatro e seis vezes mais econ\u00f4micos do que os de renov\u00e1veis<\/strong>, e que a Venezuela conta com reservas suficientes para alavancar essa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\nDa Gas Energy Latin America<\/strong>, Mar\u00edn apontou que est\u00e3o impulsionando projetos de diversifica\u00e7\u00e3o, massifica\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis l\u00edquidos (como o diesel) por g\u00e1s natural, especialmente em setores como a agroind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n\u201cTemos as reservas e h\u00e1 setores que precisam dessa energia para se desenvolver. Atualmente, consomem combust\u00edveis que n\u00e3o lhes garantem seguran\u00e7a energ\u00e9tica\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n
Mar\u00edn tamb\u00e9m destacou experi\u00eancias regionais bem-sucedidas que poderiam ser replicadas na Venezuela, como o uso de g\u00e1s natural liquefeito em frotas de transporte no Chile (Nestl\u00e9) ou o desenvolvimento do small-scale LNG<\/strong> no Brasil.<\/p>\n\n\n\nTalento, capacita\u00e7\u00e3o e alian\u00e7as: as bases para escalar<\/h2>\n\n\n\n Os participantes concordaram que o talento venezuelano \u00e9 um ativo fundamental<\/strong> para impulsionar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\nEvelyn Quintero<\/strong> destacou que, desde a PetroRenova<\/strong>, t\u00eam impulsionado alian\u00e7as com universidades como a Universidade do Zulia (LUZ)<\/strong> e t\u00eam acompanhado de perto iniciativas acad\u00eamicas como o congresso de sustentabilidade da Universidade Central da Venezuela (UCV)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n\u201cSinto que (a matriz) est\u00e1 se movendo. Todos est\u00e3o olhando para l\u00e1, inclusive os petroleiros, e isso \u00e9 extremamente relevante\u201d, afirmou. Quintero tamb\u00e9m ressaltou que a PetroRenova conta com mais de 11.000 seguidores no LinkedIn<\/strong>, consolidando-se como um canal de difus\u00e3o de iniciativas de sustentabilidade dentro e fora do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\nGeinny L\u00f3pez<\/strong> trouxe a vis\u00e3o do IESA<\/strong>, onde desenham diplomas, programas e mestrados em energia e ambiente, e est\u00e3o desenvolvendo novos programas para atender \u00e0s necessidades do mercado diante da chegada de empresas internacionais.<\/p>\n\n\n\n\u201c\u00c9 muito importante incentivar o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Da academia podemos dar assessoria e orienta\u00e7\u00e3o especializada para a integra\u00e7\u00e3o de novos atores ao mercado venezuelano\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n <\/figure>\n\n\n\nInvestimento e coopera\u00e7\u00e3o regional<\/h2>\n\n\n\n Um dos temas centrais foi a necessidade de investimento e coopera\u00e7\u00e3o internacional<\/strong> para acelerar a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\nEvelyn Quintero<\/strong> mencionou que se estima um investimento de cerca de 150 milh\u00f5es de d\u00f3lares em infraestrutura renov\u00e1vel<\/strong>, um valor que abre a porta para a participa\u00e7\u00e3o de bancos multilaterais e organismos internacionais.<\/p>\n\n\n\nLuis Mar\u00edn<\/strong> convidou a olhar para a regi\u00e3o como fonte de aprendizado e colabora\u00e7\u00e3o. Da Gas Energy<\/strong>, destacou que possuem escrit\u00f3rios em Caracas, Lima e presen\u00e7a no Cone Sul, o que lhes permite transferir conhecimento e boas pr\u00e1ticas entre pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n\u201cO Peru soube desenvolver suas reservas de g\u00e1s natural para atender ao mercado interno e de exporta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um exemplo que podemos estudar\u201d, apontou.<\/p>\n\n\n\n
Um pequeno ecossistema que faz barulho<\/h2>\n\n\n\n Ronaldo Sandoval<\/strong> encerrou o painel agradecendo aos participantes e destacando que a Venezuela tem uma geografia \u201caben\u00e7oada\u201d para o desenvolvimento de energias renov\u00e1veis<\/strong> \u2014 do cintur\u00e3o solar aos ventos de La Guajira que ultrapassam 28 m\/s.<\/p>\n\n\n\n\u201cTemos oportunidades em nossa geografia que podemos replicar. Existe o talento venezuelano espalhado pelo mundo e \u00e9 bem sabido que se formou no exterior e que o IESA continua formando\u201d, refletiu Evelyn Quintero<\/strong>.<\/p>\n\n\n\nOs principais aprendizados do painel podem ser resumidos em:<\/p>\n\n\n\n
\nA Venezuela tem uma matriz energ\u00e9tica majoritariamente renov\u00e1vel (70% hidrel\u00e9trica)<\/strong>, mas enfrenta desafios cr\u00edticos em transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o que exigem investimento urgente.<\/li>\n\n\n\nO g\u00e1s natural se configura como o combust\u00edvel de transi\u00e7\u00e3o mais vi\u00e1vel<\/strong>, com projetos que podem ser at\u00e9 seis vezes mais econ\u00f4micos do que as renov\u00e1veis em larga escala.<\/li>\n\n\n\nA mobilidade sustent\u00e1vel na Venezuela \u00e9 incipiente, mas com potencial<\/strong>, liderada pelo setor privado e com exemplos concretos em infraestrutura de recarga.<\/li>\n\n\n\nTalento e capacita\u00e7\u00e3o s\u00e3o pilares fundamentais.<\/strong> Universidades, centros de pensamento e empreendedores est\u00e3o construindo as bases para uma transi\u00e7\u00e3o s\u00f3lida.<\/li>\n\n\n\nA coopera\u00e7\u00e3o regional \u00e9 chave.<\/strong> Experi\u00eancias bem-sucedidas no Chile, Peru e Brasil podem ser adaptadas (\u201ctropicalizadas\u201d) ao contexto venezuelano.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n