{"id":64797,"date":"2026-05-06T05:05:00","date_gmt":"2026-05-06T10:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latamobility.com\/?p=64797"},"modified":"2026-05-04T10:05:15","modified_gmt":"2026-05-04T15:05:15","slug":"instituto-ar-eletrificar-caminhoes-no-brasil-evitaria-46-das-emissoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamobility.com\/pt-br\/instituto-ar-eletrificar-caminhoes-no-brasil-evitaria-46-das-emissoes\/","title":{"rendered":"Instituto AR: eletrificar caminh\u00f5es no Brasil evitaria 46% das emiss\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n
Durante o segundo dia do “Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026”<\/strong>, a consultora de projetos internacionais do Instituto AR<\/strong>, Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong>, apresentou a palestra intitulada “Caminh\u00f5es de zero emiss\u00f5es no Brasil: sa\u00fade, economia e o futuro do transporte pesado”<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Durante sua fala, a especialista trouxe dados contundentes sobre o impacto da polui\u00e7\u00e3o do ar gerada pelos caminh\u00f5es no pa\u00eds e defendeu a eletrifica\u00e7\u00e3o do setor de carga pesada como o caminho mais vi\u00e1vel<\/strong> sob os aspectos da sa\u00fade, da economia e do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n A apresenta\u00e7\u00e3o faz parte do programa “Caminhos para o futuro”<\/strong> , uma iniciativa focada no futuro do transporte limpo e na descarboniza\u00e7\u00e3o do setor no Brasil, cuja estrutura\u00e7\u00e3o conta com o apoio de Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Nesse contexto, a palestrante detalhou um dos projetos centrais do programa: a descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte de cargas pesadas no Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Voc\u00ea tamb\u00e9m pode se interessar por | JET, a Secretaria de Inova\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo e UITP debatem o uso de dados e conectividade para cidades inteligentes<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong> come\u00e7ou sua apresenta\u00e7\u00e3o com uma compara\u00e7\u00e3o assustadora: a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar mata globalmente entre 7 e 8 milh\u00f5es de pessoas por ano<\/strong> \u2013 um n\u00famero equivalente ao total de mortes por COVID-19 durante toda a pandemia. “Isso acontece anualmente”<\/strong> , destacou.<\/p>\n\n\n\n Segundo dados apresentados pela especialista, esse problema \u00e9 hoje a terceira principal causa de morte no mundo<\/strong> por doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n Nesse sentido, o setor de transportes contribui com aproximadamente 30%<\/strong> das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e poluentes atmosf\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n E dentro desse universo, o transporte de carga pesada \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de poluentes<\/strong> do ar, apesar de representar apenas 5% da frota de ve\u00edculos. “Ele emite cerca de 80% dos poluentes atmosf\u00e9ricos”<\/strong> , alertou a executiva do Instituto AR<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n A especialista do Instituto AR<\/strong> detalhou os obst\u00e1culos espec\u00edficos que o Brasil enfrenta nessa quest\u00e3o. A frota de caminh\u00f5es brasileira \u00e9 uma das mais antigas do mundo<\/strong>, com idade m\u00e9dia de 20 anos<\/strong>, e ve\u00edculos com mais de 30 anos ainda circulando pelas estradas.<\/p>\n\n\n\n A isso se somam estradas em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e uma legisla\u00e7\u00e3o que permite transportar mais peso do que o permitido em outros mercados globais, como o europeu ou o norte-americano.<\/p>\n\n\n\n Essas condi\u00e7\u00f5es degradadas fazem com que, mesmo que fossem usados combust\u00edveis mais limpos, a frota emita mais poluentes do que o estabelecido pelas normas mec\u00e2nicas e de combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n “Estamos abastecendo uma frota que opera em condi\u00e7\u00f5es degradadas”<\/strong> , enfatizou Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n A palestrante focou nos corredores de transporte rodovi\u00e1rio do Brasil<\/strong> \u2013 as rotas por onde circulam os caminh\u00f5es \u2013 e nas comunidades ao redor. A popula\u00e7\u00e3o mais afetada pela polui\u00e7\u00e3o inclui moradores da periferia das grandes cidades, assentamentos urbanos e suburbanos \u00e0 beira das rodovias, comunidades ribeirinhas e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n “A emiss\u00e3o que vem dos caminh\u00f5es impacta de forma diferente a popula\u00e7\u00e3o, e esse impacto se concentra na popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel”<\/strong> , afirmou a representante do Instituto AR<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Como exemplo, ela mencionou que o \u00f3xido de nitrog\u00eanio \u2013 um g\u00e1s altamente t\u00f3xico associado \u00e0 mortalidade infantil por doen\u00e7as respirat\u00f3rias e asma \u2013 \u00e9 emitido em maior quantidade pelo biodiesel de origem vegetal do que pelo biodiesel de origem f\u00f3ssil. “As crian\u00e7as que vivem perto das rotas est\u00e3o sujeitas a epis\u00f3dios frequentes de asma”<\/strong> , alertou.<\/p>\n\n\n\n Segundo um estudo do Instituto AR<\/strong> baseado em dados do DataSUS<\/strong> do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, entre 2013 e 2023, o Brasil gastou 25 milh\u00f5es de reais<\/strong> no tratamento de doen\u00e7as associadas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, como problemas cardiovasculares, cerebrovasculares, diabetes e c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. Esse valor n\u00e3o inclui os gastos do sistema de sa\u00fade suplementar, apenas o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n “O dano social decorrente dessa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande”<\/strong> , afirmou Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong>, que destacou a necessidade de incorporar os custos para a sa\u00fade<\/strong> em qualquer discuss\u00e3o sobre combust\u00edveis para o transporte pesado.<\/p>\n\n\n\n Embora do ponto de vista da descarboniza\u00e7\u00e3o os biocombust\u00edveis como o biodiesel de soja possam parecer atraentes, a especialista alertou sobre seus efeitos nocivos na qualidade do ar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n “O biodiesel de origem vegetal emite mais \u00f3xido de nitrog\u00eanio do que o biodiesel de origem f\u00f3ssil”<\/strong> , explicou. Isso o torna uma op\u00e7\u00e3o mais poluente para a sa\u00fade das pessoas, especialmente para as crian\u00e7as que vivem perto das estradas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Al\u00e9m disso, Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong> revelou um dado-chave: abastecer toda a frota de caminh\u00f5es do Brasil exclusivamente com biodiesel exigiria plantar soja em 25% do territ\u00f3rio nacional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Considerando que 70% do biodiesel atual vem da soja, e que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas reduzem as terras cultiv\u00e1veis, essa alternativa entra em conflito direto com a seguran\u00e7a alimentar<\/strong> do Brasil e do mundo, j\u00e1 que o pa\u00eds \u00e9 um grande exportador de alimentos.<\/p>\n\n\n\n Diante desse panorama, o estudo do Instituto AR<\/strong> \u2013 reconhecido pelo PNUMA<\/strong> (Programa da ONU para o Meio Ambiente) como uma publica\u00e7\u00e3o-chave no setor \u2013 avalia que a eletrifica\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos pesados apenas no estado de S\u00e3o Paulo<\/strong> poderia gerar uma economia potencial de 5 bilh\u00f5es de reais at\u00e9 2050<\/strong> em gastos com sa\u00fade e meio ambiente. Al\u00e9m disso, a descarboniza\u00e7\u00e3o plena dessa frota alcan\u00e7aria uma redu\u00e7\u00e3o de 46%<\/strong> em compara\u00e7\u00e3o com o uso de diesel f\u00f3ssil.<\/p>\n\n\n\n “A eletrifica\u00e7\u00e3o tem se mostrado um dos caminhos mais vi\u00e1veis do ponto de vista da qualidade do ar, dos benef\u00edcios econ\u00f4micos e da sa\u00fade”<\/strong> , concluiu Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n A especialista lembrou que o Brasil assumiu compromissos com o Acordo de Paris<\/strong> e com a descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte. Nesse contexto, ela pediu que os atores do setor p\u00fablico, privado e da sociedade civil priorizem o transporte pesado<\/strong> como um dos setores que merece maior aten\u00e7\u00e3o na agenda clim\u00e1tica nacional. O Tour Latam Mobility 2026<\/strong> continua sua jornada. O pr\u00f3ximo encontro ser\u00e1 em Medell\u00edn, Col\u00f4mbia<\/a><\/strong>, nos dias 10 e 11 de junho<\/strong>, e depois chegar\u00e1 a Santiago, Chile<\/a><\/strong>, em 25 de agosto<\/strong>, reunindo especialistas e atores estrat\u00e9gicos para fortalecer ainda mais o ecossistema de mobilidade sustent\u00e1vel na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\nUma pandemia silenciosa que mata todos os anos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n
<\/figure>\n\n\n\nOs desafios estruturais do Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n
O impacto desigual<\/strong><\/h2>\n\n\n\n
Um problema de sa\u00fade e seguran\u00e7a alimentar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n
Instituto AR<\/strong>
Patr\u00edcia Ferrini Rodrigues<\/strong><\/p>\n\n\n\n
<\/figure>\n\n\n\nUm 2026 de consolida\u00e7\u00e3o para a mobilidade<\/h2>\n\n\n\n