O futuro \u00e9 uma orquestra de tecnologias<\/strong><\/h2>\n\n\n\nT\u00falio Silva<\/strong> come\u00e7ou lembrando que n\u00e3o existe uma resposta \u00fanica para a descarboniza\u00e7\u00e3o da log\u00edstica e do transporte. “N\u00e3o temos uma bala de prata”<\/strong> , afirmou o moderador, que destacou que o grande desafio \u00e9 orquestrar as melhores op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis: eletrifica\u00e7\u00e3o veicular, energias renov\u00e1veis, biocombust\u00edveis e hidrog\u00eanio. Cada uma dessas alternativas tem seu lugar dependendo da regi\u00e3o, da viabilidade t\u00e9cnica e do tipo de frota ou ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\nCarlos Garc\u00eda<\/strong> endossou essa vis\u00e3o e compartilhou uma frase que resume o debate: “No autom\u00f3vel, o futuro \u00e9 el\u00e9trico. Nos ve\u00edculos pesados, o futuro \u00e9 el\u00e9trico, mas a eletricidade \u00e9 um componente, n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o \u00fanica”<\/strong> .<\/p>\n\n\n\nGarc\u00eda explicou que, enquanto no segmento de varejo o custo da transi\u00e7\u00e3o se dilui entre milh\u00f5es de consumidores, nas frotas pesadas o investidor precisa comprar centenas de caminh\u00f5es de uma s\u00f3 vez. Isso concentra o risco<\/strong> e exige um suporte muito maior.<\/p>\n\n\n\nSeguran\u00e7a tribut\u00e1ria, jur\u00eddica e previsibilidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\nUm dos pontos mais enfatizados por Carlos Garc\u00eda<\/strong> foi a necessidade de garantir tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para que os operadores log\u00edsticos fa\u00e7am a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica: seguran\u00e7a tribut\u00e1ria, seguran\u00e7a jur\u00eddica e previsibilidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\nSem esses pilares, qualquer investimento em tecnologias limpas fica invi\u00e1vel, e o custo extra acaba repercutindo no pre\u00e7o do frete<\/strong>, contaminando toda a cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n“N\u00e3o d\u00e1 para deixar toda a responsabilidade nas costas do operador”<\/strong> , defendeu Garc\u00eda. E completou: “Tem que existir algum tipo de apoio”<\/strong> .<\/p>\n\n\n\nNessa linha, ele lembrou que reduzir a idade m\u00e9dia da frota brasileira<\/strong> \u2013 atualmente em 20 anos, com ve\u00edculos Euro 0 ainda rodando \u2013 j\u00e1 geraria uma queda significativa nas emiss\u00f5es, independentemente do combust\u00edvel usado.<\/p>\n\n\n\nFelipe Salgado<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\nAs externalidades entram na equa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\nFelipe Salgado<\/strong> trouxe um conceito-chave para repensar a viabilidade das diferentes tecnologias: \u00e9 preciso incluir as externalidades na conta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\nN\u00e3o basta calcular o custo do combust\u00edvel ou da manuten\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar os impactos na sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>, nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa<\/strong> e na polui\u00e7\u00e3o sonora<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n“A conta tem que fechar, sim, mas com todas as externalidades inclu\u00eddas”<\/strong> , afirmou Salgado. Para o executivo da KPMG Brasil<\/strong>, a solu\u00e7\u00e3o certa para cada modal vai surgir naturalmente quando se analisar o problema por completo.<\/p>\n\n\n\nPor exemplo, os \u00f4nibus el\u00e9tricos<\/strong> fazem sentido em \u00e1reas urbanas n\u00e3o s\u00f3 pela redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, mas tamb\u00e9m pelo conforto ac\u00fastico<\/strong> para passageiros e comunidades. J\u00e1 para o transporte de cargas de longa dist\u00e2ncia, o custo da infraestrutura de recarga el\u00e9trica poderia desequilibrar o pre\u00e7o do frete, abrindo espa\u00e7o para biocombust\u00edveis ou hidrog\u00eanio.<\/p>\n\n\n\nOtimiza\u00e7\u00e3o log\u00edstica e manuten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\nDiante da pergunta de T\u00falio Silva<\/strong> sobre qual deveria ser o primeiro passo para os gestores de frotas que est\u00e3o come\u00e7ando sua jornada rumo \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o, Felipe Salgado<\/strong> foi direto: “Pode parecer b\u00e1sico, mas analise suas rotas e avalie a otimiza\u00e7\u00e3o log\u00edstica. Tem dinheiro na mesa”<\/strong> .<\/p>\n\n\n\nReduzir o consumo de combust\u00edvel no transporte com melhor planejamento de rotas<\/strong>, calibra\u00e7\u00e3o correta dos pneus<\/strong> e treinamento de motoristas para uma dire\u00e7\u00e3o mais eficiente<\/strong> s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que geram impacto imediato e exigem pouco investimento.<\/p>\n\n\n\n“Isso \u00e9 o ‘classe 1’ para muitas empresas, mas essa \u00e9 a realidade do Brasil”<\/strong> , reconheceu Salgado, que pediu para n\u00e3o subestimar essas medidas.<\/p>\n\n\n\nDepois de avan\u00e7ar nesse n\u00edvel, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 a moderniza\u00e7\u00e3o da frota<\/strong>, para a qual j\u00e1 existem linhas de financiamento e mecanismos de acesso a capital. “\u00c9 uma jornada de descarboniza\u00e7\u00e3o, com uma maturidade que precisa ser seguida passo a passo”<\/strong> , explicou.<\/p>\n\n\n\nDe olho no futuro, Garc\u00eda<\/strong> projetou que, em ambientes urbanos e aplica\u00e7\u00f5es de \u00faltima milha (last mile)<\/strong> , a eletrifica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 dominante. Ele deu o exemplo do transporte de passageiros de aeroportos para locadoras de ve\u00edculos, com percursos di\u00e1rios de apenas 60 quil\u00f4metros.<\/p>\n\n\n\nNo entanto, alertou que os pre\u00e7os ainda n\u00e3o est\u00e3o totalmente balizados e que, em muitos casos, algu\u00e9m precisa subsidiar parte da equa\u00e7\u00e3o<\/strong> para a conta fechar.<\/p>\n\n\n\n <\/figure>\n\n\n\nDe planos de governo a pol\u00edticas de Estado<\/strong><\/h2>\n\n\n\nUma das mensagens mais repetidas entre os painelistas foi a necessidade de o Brasil passar de planos de governo<\/strong> para pol\u00edticas de Estado<\/strong> na descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte.<\/p>\n\n\n\nCarlos Garc\u00eda<\/strong> lembrou que S\u00e3o Paulo s\u00f3 conseguiu renovar sua frota de \u00f4nibus porque a SPTrans<\/strong> definiu em 2022 que n\u00e3o entrariam mais ve\u00edculos a diesel. A regula\u00e7\u00e3o<\/strong>, afirmou, \u00e9 um motor fundamental. “Se n\u00e3o houver regula\u00e7\u00e3o, a tecnologia n\u00e3o importa”<\/strong> , sentenciou.<\/p>\n\n\n\nFelipe Salgado<\/strong> concordou: “Precisamos de clareza e seguran\u00e7a para que o capital chegue. Os investidores querem investir, mas precisam de planos de m\u00e9dio e longo prazo, n\u00e3o de quatro anos”<\/strong> . Nessa linha, prop\u00f4s definir corredores log\u00edsticos espec\u00edficos<\/strong> para desenvolver tecnologias como o hidrog\u00eanio, concedendo incentivos e garantias que permitam escalar as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\nCarlos Garc\u00eda<\/strong> acrescentou uma vari\u00e1vel que costuma ficar de fora do debate energ\u00e9tico: o estado das estradas brasileiras<\/strong>. Com uma hist\u00f3ria reveladora, explicou que, enquanto em Dubai seus ve\u00edculos trocavam um amortecedor a cada 160 mil quil\u00f4metros, no Brasil precisavam trocar tr\u00eas na mesma dist\u00e2ncia. “N\u00e3o \u00e9 meu c\u00e1lculo que est\u00e1 errado, \u00e9 o seu pa\u00eds”<\/strong> , disseram a ele.<\/p>\n\n\n\nGarc\u00eda afirmou que melhorar as estradas ou migrar para o modal ferrovi\u00e1rio<\/strong> poderia aumentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira em 15% a 20%<\/strong> , simplesmente reduzindo o desperd\u00edcio de gr\u00e3os que hoje cai dos caminh\u00f5es em estradas esburacadas. “Algu\u00e9m est\u00e1 pagando essa conta”<\/strong> , alertou.<\/p>\n\n\n\nSobre os combust\u00edveis, Carlos Garc\u00eda<\/strong> reconheceu que o biodiesel continuar\u00e1 sendo uma alternativa relevante para longas dist\u00e2ncias, apesar dos problemas com emiss\u00e3o de \u00f3xidos de nitrog\u00eanio. No entanto, ele comparou os custos de investimento: enquanto uma usina de biodiesel exige entre 20 e 30 milh\u00f5es de reais<\/strong>, uma usina de HVO<\/strong> (diesel renov\u00e1vel de alta qualidade) demanda 600 milh\u00f5es<\/strong>. A decis\u00e3o final, disse, vai depender do que a sociedade est\u00e1 disposta a financiar.<\/p>\n\n\n\nMensagens finais<\/strong><\/h2>\n\n\n\nNo encerramento do painel, T\u00falio Silva<\/strong> convidou os painelistas a deixar uma mensagem final para o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\nCarlos Garc\u00eda<\/strong> foi o primeiro a falar: “N\u00e3o existe bala de prata. \u00c9 preciso abrir o leque: portf\u00f3lio de combust\u00edveis, tecnologias e financiamento. Tudo tem que andar junto”<\/strong> . E lan\u00e7ou um desafio aos presentes: “O Brasil tem tudo para ser protagonista. Se voc\u00ea s\u00f3 quer ser passageiro, n\u00e3o define o destino. Voc\u00ea tem que ser o motorista”<\/strong> .<\/p>\n\n\n\nFelipe Salgado<\/strong> insistiu na necessidade de olhar para a equa\u00e7\u00e3o completa<\/strong>, incorporando as externalidades de longo prazo. Ele prop\u00f4s usar ve\u00edculos el\u00e9tricos para a \u00faltima milha, biocombust\u00edveis para longas dist\u00e2ncias, e definir corredores espec\u00edficos para desenvolver o hidrog\u00eanio com incentivos claros. “A tecnologia existe, o capital est\u00e1 disposto. Agora \u00e9 resolver”<\/strong> , encerrou.<\/p>\n\n\n\nPor fim, T\u00falio Silva<\/strong> agradeceu aos painelistas e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do evento, e lembrou aos participantes que aproveitem o ecossistema de inova\u00e7\u00e3o brasileiro<\/strong>, com entidades como EMBRAPII<\/strong>, FINEP<\/strong> e BNDES<\/strong> que oferecem recursos e apoio para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. “O b\u00e1sico j\u00e1 pode ser feito hoje, a baixo custo. O importante \u00e9 ter clareza e come\u00e7ar”<\/strong> , concluiu o moderador.<\/p>\n\n\n\nDa esquerda para a direita: Carlos Garc\u00eda, Felipe Salgado e T\u00falio Silva<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\nUm 2026 de consolida\u00e7\u00e3o para a mobilidade<\/h2>\n\n\n\n O Tour Latam Mobility 2026<\/strong> continua seu percurso. O pr\u00f3ximo encontro ser\u00e1 em Medell\u00edn, Col\u00f4mbia<\/strong>, nos dias 10 e 11 de junho, e depois chegar\u00e1 a Santiago, Chile<\/strong>, em 25 de agosto, reunindo especialistas e atores estrat\u00e9gicos para fortalecer ainda mais o ecossistema de mobilidade sustent\u00e1vel na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\nO tour terminar\u00e1 na Cidade do M\u00e9xico<\/strong> nos dias 12 e 13 de outubro, em conjunto com o Climate Economy Forum<\/strong>, num evento que reunir\u00e1 grandes nomes do setor para continuar impulsionando a transi\u00e7\u00e3o para sistemas de transporte mais eficientes, sustent\u00e1veis e de baixas emiss\u00f5es na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\nA transi\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em curso.<\/strong> O Tour 2026 da Latam Mobility<\/strong> ser\u00e1 o ponto de encontro para acelerar decis\u00f5es, conectar os atores\u2011chave e construir, de forma colaborativa, a mobilidade sustent\u00e1vel da Am\u00e9rica Latina<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n <\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante o Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026, aconteceu o painel intitulado “Eixo multienerg\u00e9tico para a descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte pesado: energias renov\u00e1veis, biocombust\u00edveis e hidrog\u00eanio” . O painel reuniu especialistas do setor p\u00fablico, privado e da inova\u00e7\u00e3o para discutir solu\u00e7\u00f5es que combinem diferentes fontes de energia em aplica\u00e7\u00f5es log\u00edsticas e corredores de transporte. 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Da KPMG \u00e0 Troesser: o consenso no Latam Mobility Brasil 2026 \u00e9 que o futuro do transporte pesado \u00e9 h\u00edbrido em energias - Latam Mobility<\/title>\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\t \n\t \n\t \n \n \n \n \n \n\t \n\t \n\t \n