Durante o “Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026”, que rolou em São Paulo, Ronaldo Sandoval (Diretor de Inteligência de Mercado da EvolvX) apresentou o aguardado “Relatório de Mercado Brasil e América Latina” – uma análise do estado atual e das tendências da mobilidade sustentável na região.
Na sua apresentação, Sandoval detalhou dados-chave sobre vendas de veículos eletrificados, infraestrutura de recarga e a matriz elétrica brasileira, destacando tanto os avanços quanto os desafios que o mercado enfrenta.
O executivo da EvolvX (que é a área de estratégia e inteligência de mercado da comunidade Latam Mobility) explicou que esse relatório faz parte de uma iniciativa internacional que quer conectar dados e instantâneos de mercado de cada país. A ideia é integrar Brasil, México, Chile, Colômbia e outras nações em uma comunidade que entenda as oportunidades de desenvolvimento profissional e de investimento – tanto do setor privado quanto do público.
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Crescimento acelerado do mercado de VE no Brasil
Ronaldo Sandoval começou mostrando a evolução das vendas e da participação de veículos eletrificados leves no Brasil. De 2022 a dezembro de 2025, o crescimento do mercado foi muito rápido. Os veículos eletrificados (que incluem plug-in, híbridos e veículos elétricos a bateria (BEV) ) já representam quase 8,8% das vendas totais de veículos leves no país.
Sobre a distribuição por tipo de tecnologia durante 2025, os veículos híbridos plug-in (PHEV) tiveram o maior volume de vendas dentro do mercado eletrificado brasileiro. Sandoval também apresentou uma comparação com a América Latina como um todo (excluindo alguns mercados), onde os veículos eletrificados chegaram a quase 10,9% das vendas de veículos leves.
O Brasil é, com certeza, o maior mercado da região, seguido pelo México e Colômbia, que juntos concentram quase 80% das vendas de veículos leves com essas tecnologias em números absolutos. Mas, em termos relativos, países como Equador, Chile, Uruguai e República Dominicana também mostram um crescimento bem interessante se comparado ao tamanho dos seus mercados automotivos.
Sandoval observou que, embora a maioria dos países tenha aumentado as vendas nos três tipos de tecnologia, a República Dominicana teve redução nas vendas de veículos 100% elétricos, enquanto Panamá e Costa Rica mostraram quedas nos plug-in, e a República Dominicana também caiu nos híbridos.

Infraestrutura: concentração e oportunidades de expansão
O Diretor de Inteligência de Mercado da EvolvX passou para outro pilar fundamental da mobilidade sustentável: a infraestrutura de recarga. A maioria dos estados da região Sudeste do Brasil concentra mais de 80% das vendas de veículos eletrificados leves no país, enquanto o restante do país fica com os 20% restantes.
Algo parecido acontece com a participação dos eletropostos por geografia e por tipo de recarga. A recarga rápida ainda tem porcentagem baixa se comparada com a recarga lenta ou alternada. Sandoval revelou um dado revelador: 10 unidades federativas respondem por mais de 80% das vendas nacionais e também concentram quase 80% da infraestrutura de recarga do país.
“Isso mostra duas coisas”, explicou Sandoval. “Primeiro, uma grande quantidade de infraestrutura concentrada em poucas regiões. Segundo, o potencial que as outras unidades federativas têm no Brasil.”
Sobre a relação carregadores por veículo, nos mercados que concentram 80% das vendas, a relação é de 21,4 veículos por eletroposto, enquanto nas outras 16 unidades federativas a relação é de 18,6 veículos por carregador.
Sandoval lembrou que a recomendação (ou padrão) internacional é ter entre 5 e 10 carregadores por veículo, embora tenha dito que existem metas diferentes para cada país.

Matriz elétrica brasileira: baixa intensidade de carbono e necessidade de diversificação
Um ponto central da apresentação foi a análise da evolução da matriz elétrica brasileira. Sandoval destacou que, entre 2023 e 2024, aumentou a geração por parte das tecnologias solar fotovoltaica, eólica e também gás natural. “Sabemos que a transição não depende de uma única tecnologia – ela precisa de diversificação”, afirmou.
O especialista reforçou a necessidade de maior flexibilidade para evitar futuros gargalos na capacidade de resposta do Sistema Interligado Nacional, especialmente com a integração cada vez maior de novas tecnologias na matriz de geração elétrica.
Não é segredo para ninguém que a matriz elétrica do Brasil é uma das mais limpas do mundo, mas também é preciso reconhecer que o país e o mercado precisam integrar tecnologias que possam complementar as fontes limpas renováveis tradicionais, como a solar fotovoltaica, o gás natural e outras tecnologias de combustíveis limpos.
Além disso, Sandoval apresentou uma comparação entre a baixa intensidade de carbono elétrica do Brasil e sua economia. A intensidade de carbono é um indicador muito importante para medir quanto CO2 (ou gases de efeito estufa) uma economia gera para produzir uma unidade econômica (neste caso, dólares americanos).
Assim como é baixa a geração de gases de efeito estufa da matriz elétrica brasileira, também é baixa a intensidade de carbono da sua economia. Isso oferece uma oportunidade de capturar esse benefício do ponto de vista financeiro – gerando receita com novas tecnologias limpas e, ao mesmo tempo, reduzindo o impacto ambiental.
Convite para conhecer os relatórios de mercado da EvolvX
Para finalizar, Ronaldo Sandoval convidou os participantes a contatar a EvolvX e a organização Latam Mobility para saber mais detalhes do relatório apresentado e dos relatórios de outros países da região.
“A ideia é que vocês encontrem aqui, possam conversar com todos esses perfis – com investimentos do setor privado e do setor público”, destacou.
O Relatório de Mercado Brasil e América Latina da EvolvX deixa conclusões claras: o Brasil lidera o mercado de veículos eletrificados na região, mas enfrenta o desafio de descentralizar sua infraestrutura de recarga e diversificar ainda mais sua matriz elétrica.
A combinação de uma economia de baixa intensidade de carbono e uma matriz limpa posiciona o país como um território com enorme potencial para atrair investimentos e desenvolver profissionalmente o setor da mobilidade sustentável na América Latina.



