Balanço da Mobilidade Elétrica na América Latina Durante o Primeiro Semestre de 2026: Brasil, México, Chile e Colômbia Lideram Transformação Imparável

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O primeiro semestre de 2026 consolidou a mobilidade elétrica e de baixas emissões como um dos setores mais dinâmicos da região.

Brasil, México, Chile e Colômbia protagonizaram avanços significativos em vendas de veículos eletrificados, expansão da infraestrutura de recarga, implementação de políticas públicas e desenvolvimento de novas tecnologias, posicionando a América Latina como um mercado emergente de referência global na transição energética do transporte.

Esse crescimento é fruto de uma combinação de incentivos fiscais, marcos regulatórios favoráveis, entrada de fabricantes chineses e uma crescente conscientização ambiental que impulsiona consumidores e empresas a adotarem alternativas mais limpas e eficientes.

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Brasil: O Gigante que Reconstrói a Liderança Global em Eletromobilidade

O fenômeno brasileiro não se limita a números: representa uma virada estrutural na forma como nações do sul global podem liderar soluções climáticas e tecnológicas. O impulso se manteve ao longo do primeiro semestre e responde a fatores interligados, como políticas públicas, estímulo à produção nacional e um renovado compromisso do setor privado.

O Brasil implementou incentivos fiscais que reduzem significativamente o custo de aquisição de veículos elétricos para pessoas físicas e jurídicas, somados a programas de financiamento verde e isenções tarifárias que fizeram a eletromobilidade deixar de ser uma opção de nicho para se tornar uma alternativa competitiva frente aos veículos a combustão.

Em termos de frota, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) reportou que o país já soma 505.806 unidades entre modelos totalmente elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). Do total, 266.752 veículos (52,7%) são híbridos plug-in, enquanto 239.054 unidades (47,3%) são 100% elétricos. Em 2025, o Brasil sustentou o maior volume de eletrificados da região e acelerou sua rede pública de recarga.

A infraestrutura de recarga acompanhou esse crescimento de maneira notável. Em maio de 2026, a rede pública e semipública de recarga para veículos elétricos no Brasil alcançou 25.429 pontos, um crescimento de 20,7% em relação a fevereiro de 2026, quando o país registrava 21.060 eletropostos.

Os dados foram divulgados pela ABVE em parceria com a plataforma de mobilidade elétrica Tupi. A expansão foi impulsionada especialmente pelos carregadores rápidos em corrente contínua (DC), que passaram de 6.479 para 8.601 unidades em apenas três meses — um crescimento de 32,8% — representando agora 33,8% da infraestrutura nacional.

A rede alcança 1.788 municípios, enquanto a região Norte lidera o crescimento da recarga rápida com uma alta de 51%. Os carregadores em corrente alternada (AC) também apresentaram aceleração relevante, subindo de 14.582 para 16.828 pontos, um avanço de 15,4%. A relação atual é de aproximadamente 19,9 veículos por ponto de recarga.

No âmbito das políticas públicas, o Governo Federal avalia a criação de uma área específica dedicada à eletromobilidade dentro do Ministério de Minas e Energia (MME) , com o objetivo de coordenar políticas públicas, melhorar o ambiente regulatório e estimular investimentos em veículos elétricos, infraestrutura de recarga e inovação tecnológica aplicada ao transporte urbano.

A entrada em vigor da Lei 18.403/2026 em São Paulo, que garante o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios, reduziu uma das principais barreiras à recarga residencial.

Na frente industrial, o foco em 2026 se desloca para as tarifas em alta e a localização produtiva com BYD e GWM , que definirão preço final, cadeia de valor e capacidade energética. O Brasil terminou 2025 com uma demanda por eletrificados que deixou de ser um nicho e se tornou estrutural: no acumulado de janeiro a novembro de 2025, foram 190.007 veículos leves eletrificados, e dentro desse total, os plug-in contribuíram com 155.031 unidades.

Em relação ao transporte público, o Brasil consolidou sua liderança durante o primeiro semestre de 2026, com crescimento sustentado da frota de ônibus de zero emissões. Segundo dados da Fenabrave, entre janeiro e maio de 2026, foram licenciados 311 novos ônibus elétricos no país, um incremento de 12,3% em comparação com o mesmo período de 2025.

Esse número se soma a uma frota total estimada em aproximadamente 1.500 ônibus elétricos operando em 28 cidades brasileiras até março de 2026, consolidando o Brasil como o mercado mais dinâmico da região na eletrificação do transporte público. A cidade de São Paulo segue como epicentro, concentrando cerca de 80% da frota nacional, com aproximadamente 1.300 unidades em circulação.

Além de São Paulo, a eletrificação do transporte público ganha terreno em outras cidades com projetos inovadores. Em fevereiro de 2026, Goiânia lançou a primeira frota do mundo de ônibus biarticulados elétricos em serviço regular, com unidades da Volvo Buses e carroceria Marcopolo, demonstrando o potencial tecnológico do país.

Cidades como Belo Horizonte e Rio de Janeiro avançam em processos de licitação para incorporar suas próprias frotas elétricas, antecipando uma expansão acelerada do mercado para além do eixo São Paulo. Com um investimento acumulado que supera 2,5 bilhões de reais em novas unidades nos últimos dois anos e perspectiva de crescimento sustentado, o Brasil se posiciona não apenas como líder regional, mas como referência mundial na descarbonização do transporte urbano.

México: Aposta Decidida pelo Transporte Público Zero Emissões

O México consolidou sua posição como um dos líderes regionais em eletromobilidade no primeiro semestre de 2026. Em fevereiro, as vendas de veículos elétricos e híbridos cresceram 30,2%, alcançando 13.348 unidades e representando 11,3% do total do mercado, segundo a Associação Mexicana da Indústria Automotriz (AMIA) .

No primeiro trimestre de 2026, foram comercializados 25.003 veículos elétricos, um crescimento de 21,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho se soma a um parque veicular acumulado que já supera 235.000 unidades em circulação no país.

O boom da eletromobilidade se sustenta em uma oferta de modelos cada vez mais ampla e acessível. Atualmente, as montadoras afiliadas à Electro Movilidad Asociación (EMA) oferecem mais de 110 modelos de veículos elétricos e 60 opções de híbridos plug-in e de alcance estendido.

Esse fenômeno foi impulsionado notavelmente pela entrada de fabricantes chineses, que seguem ganhando terreno no mercado nacional, com modelos como o BYD Dolphin Mini e o BYD Yuan Pro entre os mais demandados do segmento de entrada. Relatos do início de 2026 indicam que a BYD mantinha posição dominante, vendendo 7 de cada 10 carros elétricos no México. Seu modelo Dolphin Mini é um claro exemplo de sucesso, com cerca de 2.800 unidades em circulação e planos de adicionar mais 3.000 no curto prazo.

A infraestrutura de recarga apresentou avanços significativos. A rede pública cresceu 24,6% em um ano, chegando a 4.378 pontos de conexão, enquanto a rede privada ultrapassou 55.000 posições, incremento de 25,7%. Os pontos de recarga rápida foram um dos desenvolvimentos mais importantes, com aumento de aproximadamente 25% no número de conectores, reduzindo tempos de espera e melhorando a eficiência do serviço.

A presidente Claudia Sheinbaum dirigindo o Olinia-1

Em políticas públicas, no primeiro trimestre de 2026 foram concedidos 2.218 créditos específicos para aquisição de unidades elétricas para serviços de mobilidade. O setor de transporte público experimentou transformação acelerada.

Na Cidade do México, o Serviço de Transportes Elétricos (STE) anunciou a incorporação de 13 novos trólebus à frota, como parte da modernização do transporte da capital e dos preparativos para a Copa do Mundo de 2026. As novas unidades serão destinadas à operação da Linha 14 do Trólebus, que conectará o ponto de ônibus da Universidad ao Centro.

Chile: Crescimento nas Vendas e Consolidação da Liderança em Ônibus Elétricos

O Chile registrou no primeiro semestre de 2026 um crescimento explosivo na adoção de veículos de zero e baixas emissões.

Segundo dados da Associação Nacional Automotriz do Chile (ANAC) , as vendas de eletrificados plug-in alcançaram 8.754 unidades, das quais 5.512 são 100% elétricas. A BYD segue como a marca mais vendida no segmento de carros elétricos.

O país tem sido pioneiro na eletrificação do transporte público. Em 2025, o Chile contava com 2.505 ônibus elétricos em operação, e a projeção é que esse número chegue a 4.400 unidades em 2026. Essa frota posiciona o Chile como um dos líderes mundiais em penetração de ônibus elétricos no transporte público.

Em infraestrutura de recarga, o país tem mais de 3.100 estações de recarga, combinando carregadores rápidos e lentos, e projeta adicionar mais de 200 unidades em 2026. A Estratégia Nacional de Eletromobilidade estabelece metas ambiciosas, incluindo que 100% das vendas de veículos leves e médios sejam elétricos nos próximos anos.

A Tesla domina o mercado de veículos 100% elétricos no Chile com participação de 27,1% e 1.128 unidades comercializadas até maio de 2026. Em seguida vêm Volvo com 350 unidades (8,4%), BYD com 345 (8,3%), Maxus com 335 (8%) e Chevrolet com 221 (5,3%).

Além disso, o Chile tem sido pioneiro na eletrificação do transporte público. Em 2025, o Chile contava com 2.505 ônibus elétricos em operação, e a projeção é que esse número chegue a 4.400 unidades em 2026, o que posiciona o Chile como um dos líderes mundiais em penetração de ônibus elétricos no transporte público.

Quanto à infraestrutura de recarga, o país conta com mais de 3.100 estações, combinando carregadores rápidos e lentos, e projeta adicionar mais de 200 unidades em 2026. A Estratégia Nacional de Eletromobilidade estabelece metas ambiciosas, incluindo que 100% das vendas de veículos leves e médios sejam elétricos nos próximos anos.

No âmbito das políticas públicas, a Rota Energética 2026-2030 busca viabilizar iniciativas de interconexão elétrica entre Chile e Peru, Chile e Argentina, e Chile e Bolívia, além de fortalecer a integração energética regional. O governo chileno também impulsiona acordos público-privados para sustentar o crescimento da eletromobilidade.

Colômbia: Recordes de Vendas e o Primeiro Corredor de Carga Elétrica da América Latina

A Colômbia experimentou no primeiro semestre de 2026 um crescimento espetacular no mercado de veículos elétricos. Em março, o país registrou recorde histórico com 5.083 unidades 100% elétricas comercializadas, dobrando os números de fevereiro (2.508) e superando o recorde anterior de dezembro de 2025.

O mercado foi marcado por crescimento explosivo impulsionado pela chegada da Tesla, que em apenas três meses posicionou o Tesla Model Y como o veículo mais vendido do país, superando até mesmo modelos a combustão. No acumulado até maio, a marca lidera o mercado elétrico com 7.735 unidades, muito à frente da BYD com 4.999.

Apesar do domínio da Tesla, a BYD mantém presença destacada com o BYD Yuan Up como seu modelo mais vendido, ocupando a segunda posição no ranking elétrico em vários meses. Outros modelos no top 5 incluem o Chery iCAR 03, o BYD Seagull e o GAC Aion.

No acumulado de janeiro a maio de 2026, o RUNT reportou 19.542 matrículas de veículos elétricos — um incremento de 217,6% em relação a 2025 — com os veículos eletrificados representando cerca da metade das vendas de carros novos no país.

Os benefícios tributários e as facilidades de circulação, como a isenção do “pico y placa”, têm sido os principais motores dessa transição. Empresas como a Renting Colombia já operam frotas de até 3.000 veículos de energias limpas.

Em infraestrutura, a Colômbia deu um passo fundamental com o lançamento da Ruta-E, o primeiro corredor de carga elétrica do país e um dos mais extensos da América Latina, conectando Bogotá a Cartagena ao longo de 1.200 quilômetros.

O projeto, impulsionado pelo Ministério dos Transportes e pela organização internacional CALSTART, busca mobilizar mais de 1.000 caminhões elétricos até 2032 e reduzir mais de 185.000 toneladas de CO₂ por ano. A iniciativa prevê pontos de recarga para caminhões elétricos pelo menos a cada 100 quilômetros ao longo do percurso.

Apesar do entusiasmo, persistem desafios em infraestrutura. Atualmente, a Colômbia enfrenta uma relação de um carregador para cada 337 veículos elétricos e um atraso de 8 meses em infraestrutura. A carteira energética do país calcula que serão necessários aproximadamente 19.386 carregadores públicos até 2030, com investimento estimado em 260 milhões de dólares.

O Restante da Região: Avanços Graduais com Potencial de Crescimento

A Argentina experimentou crescimento importante, embora a partir de uma base reduzida. Entre janeiro e abril de 2026, foram patenteados 1.617 veículos elétricos — um incremento de 874% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas em janeiro foram patenteadas 533 unidades, número que quase igualou a metade de todo o acumulado de 2025.

Em infraestrutura, o país tem pouco mais de 260 pontos de recarga públicos e cerca de 1.500 carregadores privados instalados. O desafio continua sendo a falta de um sistema unificado que concentre todas as informações disponíveis.

No plano normativo, em maio foi apresentado um projeto de lei para estabelecer um regime integral de eletromobilidade, com metas como 2.500 pontos de recarga públicos até 2030 e veículos elétricos representando 10% das vendas de unidades novas nesse ano.

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O Peru apresentou avanço sustentado em eletromobilidade. Segundo a Associação Automotriz do Peru (AAP) , no primeiro trimestre as vendas de eletrificados cresceram 77%, somando 3.627 unidades. Nos cinco primeiros meses de 2026, as vendas de veículos elétricos dispararam 247% .

A eletromobilidade se consolida no país impulsionada pelo impacto do Porto de Chancay, a possível montagem local de veículos e os desafios em recarga rápida. Em infraestrutura, a rede ainda é incipiente, com mais de 50 pontos de recarga disponíveis, embora empresas como a Repsol Perú já tenham inaugurado suas primeiras estações.

No âmbito governamental, o Ministério de Transportes e Comunicações (MTC) anunciou que emitirá um decreto para fomentar a eletromobilidade nas próximas semanas, e a Autoridade de Transporte Urbano para Lima e Callao (ATU) participou do lançamento do programa regional E-Motion para apoiar a transição para um transporte público mais limpo e de baixas emissões.

Por sua vez, as vendas no Uruguai alcançaram 7.358 unidades — um crescimento de 133% em relação ao mesmo período de 2025 — representando 30% do total acumulado no mercado automotivo no ano. Em infraestrutura, a estatal UTE planeja instalar 300 novos carregadores em 2026, somando-se aos mais de 400 pontos já existentes, para acompanhar o crescimento sustentado da frota elétrica.

Esse boom no Uruguai foi impulsionado por uma combinação de incentivos fiscais e a chegada de novos modelos, principalmente de origem chinesa. No entanto, o governo uruguaio anunciou em maio que revisará esses benefícios, considerando que o mercado já alcançou sua “maturidade”, o que pode modificar o cenário para o segundo semestre.

Em nível regional, as vendas de veículos eletrificados já contribuem com 14,5% do total. Organismos multilaterais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Programa das Nações Unidas estão apoiando iniciativas de eletromobilidade na região.

O exemplo brasileiro de incremento nas vendas pode acelerar políticas públicas em países vizinhos como Argentina, México, Colômbia e Peru. Governos locais começam a estudar marcos regulatórios que fomentem o investimento privado, a descarbonização do transporte público e o desenvolvimento de cadeias de valor regionais em torno de baterias, software veicular e componentes de recarga.

Perspectivas para o Segundo Semestre

O primeiro semestre de 2026 deixou claros sinais de que a mobilidade elétrica na América Latina deixou de ser uma tendência incipiente para se tornar uma realidade estrutural.

O Brasil lidera em volume de vendas e infraestrutura, o México em diversidade de oferta e crescimento do mercado, o Chile em eletrificação do transporte público e a Colômbia em dinamismo de vendas e projetos de infraestrutura de longo alcance.

Os desafios para o segundo semestre incluem acelerar a expansão da infraestrutura de recarga para acompanhar o ritmo de crescimento da frota, padronizar conectores e sistemas de pagamento, reduzir custos por meio de economias de escala e produção local, e fortalecer os marcos regulatórios que incentivem o investimento privado.

A entrada de fabricantes chineses como BYD, GWM e Dongfeng continuará sendo um fator determinante na oferta de modelos e na pressão sobre os preços, enquanto montadoras tradicionais como Volvo, Mercedes-Benz, BMW e Tesla seguem ampliando sua presença na região.

A América Latina caminha para um futuro de mobilidade mais limpa, eficiente e conectada, com Brasil, México, Chile e Colômbia como motores de uma transformação que promete redefinir o transporte na região nos próximos anos.

Um 2026 de consolidação para a mobilidade

O Tour Latam Mobility 2026 chegará a Santiago, no Chile, no dia 25 de agosto, reunindo especialistas e atores estratégicos para continuar fortalecendo o ecossistema de mobilidade sustentável na região.

O evento terminará na Cidade do México nos dias 12 e 13 de outubro, juntamente com o Climate Economy Forum, em um encontro que reunirá líderes do setor para continuar impulsionando a transição para sistemas de transporte mais eficientes, sustentáveis e de baixas emissões na América Latina.

A transição já está em curso. O Tour 2026 do Latam Mobility será o ponto de encontro para acelerar decisões, conectar atores‑chave e construir, de forma colaborativa, a mobilidade sustentável da América Latina.