A infraestrutura de recarga para veículos elétricos no Brasil alcançou um marco histórico ao ultrapassar a barreira dos 25.000 pontos de recarga públicos e semipúblicos , consolidando o país como um dos mercados de eletromobilidade que mais cresce na América Latina.
Segundo o mais recente levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) , feito em parceria com a plataforma Tupi , a rede nacional chegou a 25.429 pontos em maio de 2026 – um crescimento de 20,7% em relação a fevereiro do mesmo ano, quando o país registrava 21.060 eletropostos.
Esse avanço da infraestrutura acompanha a expansão da frota nacional de veículos elétricos plug-in, que já soma 505.806 unidades entre modelos totalmente elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). Desse total, 266.752 veículos (52,7%) são híbridos plug-in, enquanto 239.054 unidades (47,3%) são 100% elétricos – estes, sim, totalmente dependentes da rede de recarga.
A relação atual é de aproximadamente 19,9 veículos por ponto de recarga , um indicador que mostra tanto o ritmo de adoção da tecnologia quanto a necessidade de continuar ampliando a rede para dar conta da demanda crescente.
Você Também Pode se Interessar | A Turnê “Latam Mobility 2026” Encerra sua Passagem por Medellín e Segue para Santiago do Chile e Cidade do México
Carregadores Rápidos Lideram a Expansão
A ampliação da infraestrutura está sendo puxada pela recarga rápida em corrente contínua (DC), que saltou de 6.479 para 8.601 unidades em apenas três meses – um avanço de 32,8%. Com esse ritmo, os carregadores rápidos agora representam 33,8% da infraestrutura nacional, ante 30,8% no levantamento anterior.
Esse dinamismo vem da instalação de uma nova geração de equipamentos ultrarrápidos, com potências que chegam a 480 kW e múltiplas posições de recarga, o que reduz significativamente o tempo de espera e torna mais viável o uso de veículos elétricos em viagens de longa distância.
Já os carregadores em corrente alternada (AC), usados principalmente em recargas de longa permanência – em residências, estacionamentos de shoppings e locais de trabalho – também tiveram uma aceleração importante. O número de pontos subiu de 14.582 para 16.828 , um avanço de 15,4% no período.
O dado mais relevante aqui é a mudança de tendência: no mapeamento anterior, os carregadores AC haviam crescido apenas 17,6% em doze meses. Agora, em apenas três meses, praticamente repetiram esse desempenho – o que indica uma reativação do segmento de recarga residencial e semipública.

Regulação de São Paulo Impulsiona a Recarga
Essa recuperação dos carregadores AC coincide diretamente com a entrada em vigor da Lei 18.403/2026, sancionada no estado de São Paulo, que garante o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios – eliminando uma das principais barreiras históricas para a recarga residencial.
A norma, publicada no Diário Oficial do Estado, assegura ao condômino o direito de instalar, às suas próprias custas, uma estação de recarga individual em sua vaga de garagem, desde que respeitadas as normas técnicas e de segurança vigentes. Na prática, a lei impede que regulamentos internos ou decisões administrativas dos condomínios bloqueiem a adoção de infraestrutura de recarga sem fundamentos técnicos sólidos.
Essa medida, que atinge um dos maiores centros urbanos do país, tem efeito multiplicador na adoção de veículos elétricos, porque resolve uma das principais preocupações dos potenciais compradores: ter um ponto de recarga acessível e confiável em casa.
Davi Bertoncello , diretor-executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, resumiu o momento do setor: “Os carregadores lentos, que vinham em baixa, reagiram. A regulação de São Paulo que garante o direito à instalação de carregadores em condomínios tem um papel direto nesse movimento.”
O executivo foi além: “O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala; estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país.”
Expansão Regional: o Norte Lidera o Crescimento
A rede se expandiu em todas as regiões, mas com ritmos e perfis diferentes. O Norte foi a grande surpresa do trimestre, com crescimento total de 31,1% em pontos de recarga e 51% em carregadores rápidos (DC) – o maior índice entre todas as regiões.
O Centro-Oeste (+23,7%) e o Sul (+23,4%) vieram na sequência, ambos com forte avanço nos carregadores rápidos (36,3% e 35,8%, respectivamente). O Sudeste , que concentra a maior base instalada do país, cresceu 18,1% – um ritmo mais moderado, mas com o maior volume absoluto, chegando a 11.079 carregadores públicos.
O crescimento da recarga rápida acima de 33% foi registrado em quatro das cinco regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul), o que mostra uma mudança estrutural no perfil da infraestrutura nacional : regiões mais distantes dos grandes centros já nascem com uma orientação forte para a recarga rápida.
Atualmente, 1.832 municípios brasileiros contam com infraestrutura de recarga disponível – um aumento de 11,1% em relação a fevereiro de 2026.

Um Ano Recorde para a Eletromobilidade Brasileira
O mercado de veículos eletrificados no Brasil não dá trégua. Entre janeiro e maio de 2026, foram emplacados cerca de 167 mil veículos eletrificados no país. A ABVE projeta que 2026 fechará com números recordes, com potencial para ultrapassar a marca de 300 mil unidades comercializadas no ano.
Ricardo Bastos , presidente da ABVE, já tinha antecipado o otimismo do setor ao afirmar: “2026 será o melhor ano da eletromobilidade no Brasil.” A projeção da entidade aponta para vendas totais acima de 280 mil unidades eletrificadas neste ano.
A combinação de uma rede de recarga em rápida expansão, um marco regulatório favorável que elimina barreiras para a instalação de carregadores residenciais, e uma oferta crescente de veículos por parte das montadoras coloca o Brasil como um dos mercados mais dinâmicos de eletromobilidade da região. A infraestrutura energética que sustentará essa transformação, como destaca Bertoncello , já está em construção – e os números do primeiro semestre de 2026 confirmam que o ritmo de avanço não tem precedentes.
Um 2026 de consolidação para a mobilidade
O Tour Latam Mobility 2026 chegará a Santiago, no Chile, no dia 25 de agosto, reunindo especialistas e atores estratégicos para continuar fortalecendo o ecossistema de mobilidade sustentável na região.
O evento terminará na Cidade do México nos dias 12 e 13 de outubro, juntamente com o Climate Economy Forum, em um encontro que reunirá líderes do setor para continuar impulsionando a transição para sistemas de transporte mais eficientes, sustentáveis e de baixas emissões na América Latina.
A transição já está em curso. O Tour 2026 do Latam Mobility será o ponto de encontro para acelerar decisões, conectar atores‑chave e construir, de forma colaborativa, a mobilidade sustentável da América Latina.



