A indústria de veículos pesados no México enfrenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI) e da Associação Nacional de Fabricantes de Ônibus, Caminhões e Tratorreboques (ANPACT) mostram que a produção de caminhões pesados caiu 49% em fevereiro de 2026 em comparação com o mesmo mês do ano anterior, refletindo uma queda generalizada que também afetou exportações e vendas internas.
Em fevereiro, as empresas no país produziram 6.974 unidades, bem abaixo das 13.696 unidades registradas em fevereiro de 2025, marcando o menor nível mensal do setor em cerca de cinco anos.
A retração não se limitou à produção. As exportações caíram 32%, enquanto as vendas no atacado recuaram 27% e as vendas no varejo caíram 39% em relação ao ano anterior, evidenciando uma desaceleração significativa em toda a cadeia de transporte pesado.
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Diesel ainda domina a produção
Do total de veículos produzidos em fevereiro, 6.739 eram caminhões de carga e 235, ônibus de passageiros, refletindo a estrutura típica da indústria mexicana de veículos pesados.
Em termos de motorização, o diesel continua amplamente predominante. Das 6.974 unidades fabricadas, 6.972 rodavam a diesel, enquanto apenas um veículo elétrico e um a gás natural foram produzidos.
Esse cenário mostra que, apesar do debate global sobre a descarbonização do transporte, a eletrificação no segmento de caminhões pesados no México ainda é incipiente, principalmente devido aos altos custos de transição tecnológica e à infraestrutura limitada para combustíveis alternativos.

Exportações também apresentam forte queda
O mercado externo, tradicionalmente o principal motor da indústria de caminhões pesados do México, também apresentou sinais de enfraquecimento.
Em fevereiro de 2026, o México exportou 7.849 veículos pesados, uma queda de 32% em relação às 11.535 unidades exportadas em fevereiro de 2025. Embora esse volume represente uma recuperação parcial em relação a janeiro de 2026, quando foram enviadas 5.076 unidades, o total ainda está bem abaixo dos níveis recentes.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino, absorvendo 7.015 unidades. O Canadá veio em seguida, com 498 unidades, enquanto a Colômbia começa a se consolidar como um mercado emergente para esses veículos.
Assim como na produção, o diesel dominou quase todas as exportações (7.847 unidades), contra apenas um caminhão elétrico e um veículo a gás natural.

Mercado interno acumula mais de um ano de queda
A fraqueza do mercado doméstico também tem impactado fortemente o setor.
As vendas no atacado chegaram a 1.836 unidades em fevereiro, uma queda de 27,3% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas no varejo somaram 2.303 unidades, uma retração de 38,9% comparado a fevereiro de 2025.
No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, as vendas no varejo totalizaram 4.376 veículos, uma redução de 42,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a Associação Mexicana de Distribuidores de Automóveis (AMDA), o mercado registra 14 meses consecutivos de queda anual, refletindo um cenário econômico desafiador para a renovação de frotas.

Importações de caminhões usados pressionam o setor
Outro fator de preocupação é o crescimento da importação de caminhões usados provenientes dos EUA, que exerce pressão sobre o mercado interno.
Estima-se que para cada 100 caminhões novos vendidos no México, cerca de 64 unidades usadas entram no país, muitas com alta quilometragem ou condições mecânicas precárias.
As empresas alertam que essa situação distorce o mercado, reduz as vendas de veículos novos e pode afetar a segurança viária e as emissões de poluentes.

Chamado para fortalecer a regulamentação
Diante desse cenário, a ANPACT solicitou ao governo federal a revisão dos mecanismos regulatórios que permitem a importação de veículos pesados usados.
A associação pediu que a Secretaria da Fazenda e Crédito Público, a Agência Nacional de Aduanas, a Secretaria de Economia e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais reforcem os controles para impedir a entrada de unidades que não atendam aos padrões exigidos.
O setor também ressaltou que as tarifas aplicadas sob a Seção 232 da legislação comercial dos EUA geraram incerteza para a indústria automotiva regional, somando-se às negociações comerciais no âmbito do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
Resultados do primeiro bimestre refletem queda histórica
Entre janeiro e fevereiro, a indústria produziu 13.767 veículos pesados, uma redução de 50,5% em relação às 27.767 unidades fabricadas no mesmo período de 2025.
No comércio exterior, as exportações somaram 12.925 unidades, uma queda anual de 42,6%.
Apesar do cenário desafiador, a indústria mantém a confiança de que maior estabilidade nas regras comerciais e melhor coordenação regional permitirão uma recuperação gradual da produção. Os fabricantes destacam que a integração das cadeias de suprimento da América do Norte e o fortalecimento das políticas industriais regionais serão fundamentais para reverter a tendência negativa e manter a competitividade do setor automotivo no continente.
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