Do subsídio ao serviço: como os modelos “As-a-Service” estão redefinindo a eletromobilidade na região

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No âmbito do webinar “LATAM: Roteiro 2026 para Mobilidade e Energia”, organizado pela Latam Mobility, foi realizado o segundo painel, intitulado “Hispanoamérica 2026: Investimentos, Regulação e Modelos de Negócio para a Mobilidade Sustentável”.

A conversa, moderada por Andrés García, diretor da Latam Mobility, reuniu especialistas da região para analisar os avanços, obstáculos e oportunidades que definem o presente e o futuro da mobilidade sustentável na Hispanoamérica.

Participaram do painel Pamela Peña (BD Manager Smart Mobility na Hiberus), Israel Galván (Senior Business Developer na Autocab), Alex Ascon (Senior Consultant na Urban Wave) e Lala Céspedes (representante da Singular City).

Os especialistas concordaram que a mobilidade sustentável deixou de ser um conceito futurista para se tornar uma realidade palpável nas principais cidades da região, embora ainda existam desafios estruturais que exigem maior coordenação público-privada e uma visão integradora.

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Dos pilotos à realidade

Andrés García abriu o diálogo destacando que a mobilidade sustentável é hoje uma realidade para os cidadãos — seja por meio de aplicativos de roteirização, da eletrificação do transporte público ou da crescente infraestrutura de recarga nas cidades. Ele ressaltou, porém, que a harmonização das regras entre países e regiões ainda é um desafio.

Pamela Peña foi a primeira a abordar investimento e regulação, apontando que a segurança jurídica e a padronização são hoje mais determinantes do que os subsídios diretos.

A partir da experiência no Chile, ela destacou três pilares: interoperabilidade, leis de retrofit e economia circular, e instrumentos de blended finance.

“Países como o Chile implementaram regras de interoperabilidade que permitem qualquer usuário carregar em qualquer ponto da rede, eliminando a chamada ansiedade de autonomia. Isso foi um grande facilitador”, afirmou Peña, ressaltando que a colaboração público-privada é inegociável para escalar os projetos.

Alex Ascon trouxe a visão do Peru, onde a grande lacuna hoje é a infraestrutura de recarga.
“O veículo já não é o maior obstáculo. A tecnologia está validada, os preços caíram com a entrada das marcas chinesas, mas a infraestrutura ainda segura a adoção em massa”, explicou.

Ascon também introduziu uma perspectiva inovadora ao falar sobre mobilidade aérea elétrica (drones e VTOLs) — um setor com regulação ainda incipiente, mas com alto potencial operacional, especialmente na mineração e no agronegócio.

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Andrés García, Lala Céspedes, Álex Ascon (acima) e Israel Galván e Pamela Peña (abaixo)

A necessidade de uma visão integradora

A conversa foi para a falta de homogeneidade regulatória, apontada como um dos principais entraves para modelos de negócio escaláveis na região.

Lala Céspedes descreveu a situação na Argentina como um “cinza regulatório”. Há abertura de mercado e financiamento para elétricos e híbridos, mas falta um marco normativo sólido que dê segurança aos investidores.

“Regionalmente, vemos muitos testes-piloto, mas eles não estão claramente alinhados como região. Precisamos sair de laboratórios isolados para uma integração macro, como fizeram o Chile com sua política pública e a Colômbia com seus esquemas contratuais”, refletiu Céspedes.

Israel Galván complementou com a visão do México: as regulações variam não só entre países, mas até entre estados. Apesar disso, destacou avanços locais como incentivos fiscais para veículos elétricos e programas de verificação veicular que estimulam a renovação de frotas.

“Na Autocab, apoiamos taxistas na transição para modelos mais eficientes, otimizando rotas e reduzindo viagens vazias. A tecnologia é nossa ferramenta para melhorar a qualidade de vida”, explicou Galván, destacando que o México tem aprendido com os modelos do Chile e do Brasil.

A ascensão do “As-a-Service”

Quando perguntados sobre os modelos de negócio mais eficazes e escaláveis na região, os participantes concordaram: o modelo de propriedade está sendo substituído pelo modelo de serviço.

Alex Ascon apontou que no Peru o B2B é o principal motor, com 80% das empresas tendo CapEx para renovar frotas. O modelo Fleet as a Service — que inclui veículos, infraestrutura de recarga e sistemas digitais de otimização — tem se mostrado altamente eficiente, com payback de 4 a 5 anos e ganhos operacionais expressivos.

Pamela Peña aprofundou a tendência, identificando três modelos dominantes no Chile:

  • Transport as a Service (pagamento por km rodado, não pelo ativo);
  • Infraestrutura as a Service (onde o software de gestão energética é tão relevante quanto o carregador);
  • Mobility as a Service (integração de múltiplos modos de transporte em uma única plataforma de pagamento).

“O grande ajuste foi a flexibilidade financeira e o uso intensivo de dados. As empresas não querem mais comprar uma van elétrica; querem pagar pela disponibilidade”, afirmou Peña.

Lala Céspedes trouxe uma visão integradora: não existe um único modelo replicável — cada cidade precisa de um roteiro sob medida. Mas a sustentabilidade de qualquer modelo passa por um planejamento que, desde o início, articule toda a cadeia de valor, incluindo capacitação de operadores e experiência do usuário.

Israel Galván encerrou esse bloco destacando o papel da tecnologia na otimização do transporte público, especialmente os táxis, e como as plataformas digitais ajudam a reduzir emissões ao minimizar viagens vazias e otimizar rotas em cidades congestionadas como a Cidade do México.

Dados, colaboração e visão de futuro

Para encerrar, Andrés García agradeceu aos participantes e destacou que o ecossistema de mobilidade sustentável na Hispanoamérica está cada vez mais diverso, maduro e cheio de oportunidades.

Os principais aprendizados do painel:

  • Segurança jurídica e interoperabilidade são tão importantes quanto os incentivos econômicos. Países que avançaram em regulação clara — como o Chile — viram referência para a região.
  • O modelo de negócio dominante está migrando para o “As-a-Service”, transformando altos custos iniciais (CapEx) em despesas operacionais (OpEx) graças à tecnologia e aos dados.
  • A fragmentação regulatória ainda é um entrave, mas também uma oportunidade para gerar aprendizados e melhores práticas transferíveis.
  • A colaboração público-privada não é opcional: é condição necessária para escalar projetos e garantir sustentabilidade no longo prazo.
  • Novas fronteiras, como a mobilidade aérea elétrica, começam a surgir como campo de inovação com alto potencial na mineração, no agronegócio e na logística.

O webinar deixou claro que a Hispanoamérica vive um momento decisivo para a mobilidade sustentável. Os próximos anos serão cruciais para consolidar os aprendizados dos projetos-piloto, homogeneizar critérios regulatórios e escalar modelos de negócio que coloquem o usuário e a sustentabilidade no centro da transição.

Estas e outras discussões de alto valor terão continuidade no encontro presencial «Latam Mobility & Net Zero Brasil», que será realizado nos dias 15 e 16 de abril em São Paulo, Brasil, onde especialistas, empresas e líderes do setor se reunirão para aprofundar as estratégias que estão definindo o rumo da mobilidade sustentável em toda a região.

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